quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Uruk-hay War


Arándano
dulce de leche
alfajor
pomelo
Suerte!

Parrilla
chicas belas
asado
tango uruguayo
muerte!


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Repolho podre para os animais de baixo calão.


Lá, Garto
o garfo largado,
cheio de restos mortais
deles, os outros animais.

Lá Garto
larga de ser mole ow!
A largatixa te ultrapassa
e Lá de longe se vê
que até mesmo a tartaruga
ganha de você.

Vi um lagarto andando
pelas gramas da matemática,
meu coração disparou
de verde que eram eles dois se confundindo,
o lagarto foi pra lá
debaixo da construção, debaixo de uma sacada
onde o chucro palhaço Chucrute,
o repolhista alemão,
repousa.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mar Duque vulgo Chá de Mate.


Enquanto fazia meu passeio matinal mental - hoje em lugares por onde não me arrisco muito com medo de ariscos animais selvagens ou do limo escorregadio das pedras - recebi a má notícia de dez mil anos atrás, como a queria Raul Seixas. Eis que me surgiu um pequeno, vestido como se fosse um eremita futurista - num trage fashion nostradâmico - anunciando como a sibila drogada, que o mundo haveria de acabar em 2012. Fiquei tranquila, porque ainda há tempo. Não sabia me dizer o profético em tom poético, se era pela estabilidade cósmica última, o máximo da entropia - que transforma tudo que existe no estático, sem vida - que o universo ia dar de acabar. E se fosse uma luta entre Vishnu e Marduk? E se Tiamat viesse em socorro de algum deles? Ressurgida das próprias cinzas, feito a fênix de encanto quebra-fractal. Chegaram as más notícias do fim, cegaram elas, aos homens. Parece as vezes que o Universo é feito de um fluido, que não importa bater o caminhão no poste. A ação, mesmo que condenável, é irresistivelmente inevitável. É o escoar de tudo que existe ou da energia do vácuo, que se condensa e que torna a ser outro mundo. Se esse acabar, certamente surgirão outros, e talvez estejamos neles, se não nós, enquanto esses que não evitam o inevitável, o que em nós existe. O universo acaba sem ter tido um começo, ou sem saber o que era antes dele. Uma galinha que bota ovos que se quebram, feitos os pedaços de desorganização, de informação do espaço, uma densidade escura. Será o fim do calendário maia mais uma vez. Talvez tivesse sido hoje às seis da tarde, como me disseram os meninos de raios cósmicos. Talvez lutassem Tiamat e Marduk no íntimo de cada um de nós. O antigo contra o novo, definidos na mudança fluida do tempo. O que lhes disse eu às seis e um? Que talvez os maias não soubessem trabalhar com constantes de integração ... nada me parece mais razoável.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Padupoulos

Quanto à você meu amigo,
se sente cinza essa tarde
como eu na multidão de cores,
me ouve e fala pra mim

Pensamos a mesma coisa dolorosa
e sobre ela, se debruça a tarde
sobre meu choro e o seu que não é de lágrima,
tão distante e sem fim

Penso que você me entende
ou apenas sinto que desse jeito é
por vezes, não trocamos mais que meia dúzia de palavras
sobre o mundo que se insurge dentro de nós

O mundo está lá fora
e você arregaça as mangas de campos na Londres cinzenta,
"mais um"que somos nos metrôs por aí.

O que incomoda em viver
é sem ter por onde
sem ter ninguém e ao mesmo tempo ter,
tido.

O mundo está lá fora demais
e é isso o que dói.

Lembra-me, lambari-me
pedaços de memórias de dezoito anos
as risadas de "gipsys" e as alucinações coletivas,
literalmente Me Likan,
por onde passeam cálculos de geometrias analíticas,
Padupoulos é pra você
que sempre me faz e me ouve as críticas.





quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quantupatuhá em Pasárgada

Quando você voltar de Pasárgada,
eu vou estar,
mas pra onde vou

... inda não sei,
em Pasárgada não me querem,
lá ,você se finge de Rei
e se esquiva do "amor" que sentem.

Quando você voltar da cama das Mulheres,
vou te pedir que retornes àqueles outros braços,
Joana a louca, me acompanhará
tal como é sabido aprecio os dementes e insanos.

Quando retornar,
- da sua viagem de não mais do que um ano por trinta e poucos países-
encontre em um outro lugar o homem de bicicleta
e dê a ele uma moeda
tenha senso de direção e não seja um copista de mapas,
me conte histórias dos mendigos nas estações
- se houver, se os ouvir -
e me diga se sentir que os ama.

Quando voltar de Pasárgada estarei aqui,
talvez do lado de lá
mas inda estarei,
avise-me com trombetas
no fingir-se ainda de Rei.






quinta-feira, 8 de outubro de 2009

en-xame


Frei Tag,
foi o drink que tomou Morrison
numa tarde calorenta da cidade infernorenta
seu êbbado maldito!
tem tanto álcool no sangue
que pode até pegar fogo!
êbbado inútil, êbbado infame...
inflame
in flames.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Poe


Ah, lê guria!
Poe favor!
Tem uns urubus na janela sentados
aguardente para comer a carcaça destas poesias.

Leia e me salve dos urubus,
e do disco-voador que vem das estrelas.

Quem não égide retorna ao mundo das fadas
e dos sonhos Morfeu é quem conhece bem,
esse cara sombrio se chamava Edgar,
me disseram que seus papéis morreram comidos por eles
mas não hoje,
porque os bombeiros o resgataram do prédio em chamas,
usando escadas.

Leia,
me salve
tenho medo de universos infinitos e de almas penadas!




terça-feira, 6 de outubro de 2009

Segundo Round

De acordo com Round "Broflóviskis mévers e
Bardorilingians confort styles".
O que gerou controvérsia, mas, segundo ele também "Jiranvuskas pombagira,
and they'll keep it in circles
for miles".

Revista Boxe para extrangulados, segundos depois Kaious

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Esse foi o fim de Martin Tygel


Martin Tygel
viajou pra Alemanha
Martin Tygel
não gostava de aranha...
e sua repulsa era tamanha
que o fez tripudiar sobre vocês.
Martin Tygel tem medo
mas foi pra África de sopetão
arranjou nas malas uns livros sobre como ganhar medalhas
e foi comido por um leão.

Fog

Os bardos agitaram-se com suas trombetas,
um cenário tenebroso se desenrolava,
Anunciaram "tsunamis" cataclísmicos
de altura meio milhão.

Era findo nosso tempo no templo dos sonhos
economizei nas palavras
e fugimos todos juntos,
em silêncio,
reconhecendo o fim.

Que haveria depois do mar?
Depois de todo o mar.

Ventava até dentro daquelas choupanas
onde nos escondemos,
eles sentiram sono ...
e de repente o resto do mundo dormia.

Queria ver as ondas.

Os sons eram delicados
- apesar da força sem tamanho das águas -
imaginei-os de forma tal
que se tornaram audíveis à distância.

Escondi-me em algum lugar
avistei-as se aproximando
era impossível escapar do vento
não havia distinção entre nuvens
de céu e de mar.

Preencheu-se o meu peito de uma certeza
"Não temer a morte
e não ter fim"
lembrei-me dos outros que adormeceram,
quando tudo acabou acordei sozinha nesse lugar
as ondas inda as tenho,
permaneceram em mim.













sexta-feira, 2 de outubro de 2009


O mar é a mente.
No meio daquela gente
a maré me leva a pensar igual,
a maré me leva a pensar,
quanto pesar eu sinto.

Evitar a dança dos afogados
no meio daquela trança.
Ah! - Lamento, mas não fui eu quem se despediu
de Poseidon.

Que posso fazer pra escapar de tanta água,
onde se afoga toda a câmara dos comuns,
na vingança declarada do Deus líquido,
por serem eles o que estão.

Agora o burburinho das fofocas
matinais de vocês,
que saíram pra aproveitar a neve
- como me incomodam -
com seus pares novos de patins e seus casacos de pele.

Os restos mortais da tormenta atingiram a outra margem
deixando os que ficaram cheios de certezas.
Se aquele mar de gente não me tivesse dominado,
talvez desfrutássemos de uma posição heróica.

Não quero lembranças derrotistas,
no meio de sua imensidão me afogo eu também
e no amargor do sal,
em vestígios seus
- não os quero -
vestígios os de ninguém.








terça-feira, 22 de setembro de 2009

Oração dos descrentes.

Eu oro todas as noites:
"Deus me guie nas minha busca pela verdade, e me proteja daqueles que acreditam terem-na encontrado".

domingo, 13 de setembro de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sequência logística.

alienável:
passageiro de se tornar
alienígena.

alienista:
alienígenas que fazem
"bicos" de motorista.

aligator
alienistas que usam
um jacaré como disco-voador.


domingo, 9 de agosto de 2009

baladas

depois você me manda seus sonhos?
venha com seus lirismos oníricos,
seus onirismos,
suas licenças poéticas narradas à título de confusão, todas nuns novelos de gato enovelados, enevoados.
ah, embale-os pra enviar!
enquanto embalados,
estão na categoria dos doces
ou de balas de prata que quando tornadas ao coração dos lobisomens
lhes consomem a vida?
chegariam eles, seus sonhos, até mim como crianças que dormem ao som de uma canção
...embaladas?
por uma música feita com flauta de êmbulo...
sejam eles doces como as notas dela
nota alguma se propaga por tao longa distancia,
mas, mande embalados,
e me crie novos pacotes,
ao preço insignificante de nada custarem,
diferentes da balas que matam e que matam
os bardos barbudos flauteiam
enquanto aqueles alces sem chifres
soldados distantes de Morfeu
deixaram marcas de brincadeiras na grama
vi que os lobisomens tambem brincavam
mas se perderam porque os acertaram,
as balas dos seus sonhos medonhos,
as balas que não se manda assim de qualquer jeito
ou de modo algum,
eu reclamo
mas mande-os sim
sinto fome de suspiros,
mande os seus sonhos pra mim

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Entre-vistas da alma

Que Soul eu...
quem é você?
que torna os homens ao que são?
Não sãos
loucos eles todos?
tem menos da alma nos olhos
do que eu poderia desejar no mínimo
que neles houvesse.
Eu vou te contar sobre o Sol
quando ele se levantar
e entre vislumbres
perguntar como foi o seu dia
entre-vistas
de uma quentura gostosa no céu
e de um vento emanando gelado daquela estrela que apontou inda pouco,
enquanto me distraía no seu olhar.
Parece que emanava algum etéreo fluido
dele, foi quando eu soulbe
quando soul.

ciclo do pinhão

suas certezas esporádicas
as suas esporas
os seus esporos
ex-poros,
já que foram pele um dia
tornaram escamas
quando esporularam
nas ex-camas
onde nadam samambaias

crie e monte

o que sou eu?
soul alma
ressoa a alma
assim soa a alma
fluida
soul como o sol
suor que ressoa
que me acalma
soul alma
soul ama
sou alma
sua ama




quarta-feira, 29 de julho de 2009

Braços.

abraço de urso
a-braço a-branco
abraço de urso é branco
abraço o branco
abraço abranço abranco
há branco
abraço banco
abraço há braço
há braços em torno de mim
hábraços




Liquidificador.

São todas coisas
que copio de conversas mentais
enquanto as tenho:
... se o Universo fosse determinístico
os problemas todos
se resolveriam num jogar de dados.
A alteridade, o que importaria?
Se me dissessem: "Você vai bater a cabeça na parede essa madrugada!"
Eu procuraria não fazê-lo, a menos que estivesse prestes a cair no sono profundo, de onde não pudesse ou não quisesse tornar.
Se encontrasse Morfeu, permaneceria no sonho, porque a ele sempre procuro no escuro.
Mas, admitir a cabeça contra a parede me nego.
In-evitavelmente seria tomada por um comichão,
uma vontade de saber se afinal de contas me batem ou não, em um liquidificador.
E é óbvio que gostaria de tomar as rédeas dos acontecimentos, usando minha vontade pra cavalgar.
Mesmo sem querer (ou querendo mais do que tudo), iria até lá e faria,
pra provar que me feri por vontade própria e não porque a parede era uma determinação.
No fim das contas todo mundo ficaria feliz (?) e eu com um Galo na testa.
Galo é bom pra se cozinhar com arroz, depois de tostadas umas cebolas, e também eu tornaria ao riso!
À final, bater ou não bater a cabeça?
A parede era determinação e a falta dela indeterminação.
Inde-termina-ação, Onde-termina-ação?
Eu, no fim da ação, não na ausência do comichão contrário, termino na parede.
Tanto da falta quanto da concretização, sobraria um sem número de perguntas não respondidas,
perguntas batidas, angústias minúsculas que se tornam líquidas quando materializadas.
Feito numa mistura delas, que foram todas servidas... ser-vidas.
Ser vividas enquanto
forças centrífugas revolvem meus pensamentos em paredes.
Algumas perguntas guardadas, aguardam uma resposta... e outras foram viver.
Essas são justamente aquelas que podem se lique-fazer,
mas num liquidifica-a-dor.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

mistura de doidura

Desculpe mas eu geralmente me confundo,
quero me retratar
por ter que te com fondue.
É que ao se ca-fundir,
minha própria cabeça
uma mistura de cultura,
de bactérias,
em pedaços de pensamentos soltos
que se multiplicam... ai ai ai
... eu, se cafuso
filhas de índios e negras,
que são cafusas
eu, se mameluca
que marmelada,
filha de brancos com malucas!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sobre o dia em que olhares deram de chover

tinha uma chuva olhada escorrendo lá fora,
foi a chuva menos molhada que já se viu

olhe!

não é que não pudesse me encharcar
ou que não caíssem gotas suficientes
eu vi que tinham
e eram de água corrente

mas é que caíam olhos ao invés de pingos

toda a água na qual ia se esvaindo
era de lágrimas que tropeçaram
e que como os rios
foram para o mar

fui tomar aquela chuva pela primeira vez
e não pude mais vê-la,
pois era a chuva que tinha olhos
pra me m'olhar

se vinham do céu,
eram anjos então
tinham asas olhos
ou eram dos anjos elas?

sei só que choveram olhares
milhares de m'olhares
e um molho deles se formou no chão

de quem era aquele choro
que chovia?
feito num coro de vozes pingadas
ou de piscadas
dos anjos

que me olham
quem se molham

depois da chuva
evaporaram todos das poças de olhares,
ou usaram umas asas
para vestir as suas vestes
e tornar pra d'onde vieram
... as órbitas

se eram anjos
choravam à revelia
ficou escuro pra que pudessem chover em paz
não os vi,
mas chorei também

e quando a noite caiu,
ainda era dia.

domingo, 28 de junho de 2009

Café árabe.

... e um outro dia numa xícara de café
ficou um resto de borra
formando um borrão

disseram-me que ali se lia o destino
coisa na qual não pude
e não consegui acreditar
a despeito das tentativas

era um dia cabalístico
de pessoas sensitivas,
o que não se pode mudar
não se deve saber
de um jeito ou de outro
elas vão dar no lugar de acontecer

coisas que um amigo torto que apontou
enquanto eram um comercial na televisão
das plantações de abóbora em Goiás
e sobre borboletas que batem asas na Bahia de todos os santos

das palavras que não me saem da cabeça
dos seus rostos rotos, que vejo em todos os lugares
e a estranha coincidência de conhecê-lo sempre
sob a mesma alcunha,
aparentemente a mais comum das que deram de existir
aqueles goles eram de um líquido elixir
e enquanto ele falava, me lia
eu,
na minha pequeneza o ouvia,
sabendo estar ele em envólucros sutis

de todas elas,
as coincidências que se transubstanciam em borras de café
no fundo de uma xícara vazia
a não ser por ela mesma
inventando pra si um conteúdo

a não ser por nada
que vá na vida fazer algum sentido
o absurdo pálido do vazio
ou som determinista que a sensitiva leu
na borra nebulosa que é o destino meu.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

aerômetros

Havia uma menina bêbada cujos olhos
catavam-vento,
suas íris giravam como frevos em guarda-chuvas
rodavam, feito seu mundo
êta-óleos!
êta-nolhos
ê-ólicos
eu olho!

Ela tinha medo
que as fotografias lhe roubassem
a alma quando fitassem o olhar,
aerômetros
por onde ela escapava,
numa ventania cambaleante
que balançava
todas as massas dançantes,
de ar.

domingo, 21 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

tempero

A luz de um dia frio
foi tudo o que sobrou do vento
quando mandou sua mensageira
anunciar o dia daquela chegada

O vento fez do tempo sua morada,
e a pobre mensageira
solidão

A luz da lamparina
brisa apagou primeiro
o que dela sobrou
foi um cinzeiro
e um prelúdio da escuridão

Como enganam seus olhos
quando se tem fome!
um furacão passou
confundindo nossas identidades
e a menina de recados
roubou meu nome,
ruborizei-me,
pelo nú

Fico esperando ele passar
seguido de uma ausência,
que sei,
vai se apossar de mim

Roendo o último fio
das coisas nas quais acredito
o mal dito
pra quem eu quis tudo

... tudo há de ruir
depois dessa tempestade
quando até o brilho do último tanto
de luz vai se mandar

Quando o vento sopra
leva tudo que resta,
e não há luz que ilumine
quando não se tem mais nada,
pra acreditar.

Carpas.

O tempo escapa ...
ao tempo

O tempo escarpa
o tempo ex-carpa,
o que é ele
quando não era um peixe?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Crendices de Goiás II

Pobre o dono dessa alcunha.
Em Goiás tem um bolo com nome de gente
que tem terra debaixo da unha,
é de mandioca e se começa a comer pelo pé,
apesar de ser feito de sujeito muito homem,
é um bolo de Mané
se toma com café e não se come gelado
esse é um bolo sem rôpa,
o tal do "mané-pelado".

Crendices de Goiás I


Amanheci com a garganta doendo
perguntaram o que tinha acontecido,
respondi:
"Tomei sereno".

quarta-feira, 17 de junho de 2009

má, drugada

e essa musica agora
me fez lembrar de mim mesma
a essa hora

de quando eu era outra
com saudade de coisa desconhecida
não era pouca
e era doída
chorava à hora de dormir

... a música me fez sorrir
embora depois tenha embalado meu peito
em meio ao silêncio de um sujeito,
e de todos, que agora dormem
enquanto meu pranto,
o que tenho em mim?

um rubor,
que não divido ou comento
uma febre
uma coisa de momento
um contentamento
e uma ânsia de paixão

o que é a vida
e o que sou eu
meu coração?
que torno à mim mesma
ouvindo uma música que desconheço
onde reconheço pedaços de memórias passadas
guardadas, grudadas
por vezes lacradas

tornar a senti-las
ouvi-las
e chorá-las ruidosamente
pra que não se possa escutar
nada além dela,

a música bela
daquela janela,
da lua,
da qual não me esqueço
volto à lembrança
... e ao começo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

sobre a velhice

as rugas, as pulgas, e os mosquitos
vem todos do mesmo lugar

as rugas são berrugas,
que os mosquitos vão sugar

eles cavam leitos macios
para as pulgas
que vem depois neles pular.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pára-Rosa

tinha orvalho
no assoalho,
e eu, assoava o nariz.
Eu na madeira,
o assoalho feliz!

uma rosa tirada do jardim
que foi do chão ao chão,
eu, rosa carmin
rosa sem pão.

plantaram-me lá
onde fiquei
molhada
a chuva na cerejeira
daquelas táboas assoadas.

fazia o assoalho sorrir
e quanto a mim,
enrubecia
eu era a rosa e ele assoalho
meu choro ressoava,
enquanto ele dormia.

trova língua

do trovador
só se ouvia a trovoada
e da nuvem,
o trovão
o céu dispersa
mas que trovação transversa

a história de uma fruta - sob a perspectiva da árvore

acredite no que eu falo
ainda agora tinha uma fruta
sob os meus braços
estarrecendo

ela, pobre coitada, julgou estar amadurecendo
quanto à mim
tudo que vi
foi que apodrecia

mas a fruta frustrada
dos meus braços não caía
tinha medo do mundo
debaixo

julgava que naquele momento ela era eu
e que eu era tão somente o mundo seu,
aquela maçã gripada!

mas eu sou a árvore
a raiz é minha
aquela fruta abusada
queria tudo que eu tinha

a história de uma fruta - sob a perspectiva dela

acredite no que eu falo
porque ainda agora
estava embaixo de uma árvore
amadurecendo

não que eu seja uma fruta
dessas que tem pernas
e saem por aí correndo

nem dessas que estão maduras demais
e caídas
ainda me aproveito da seiva dela
pra curar minhas feridas

embaixo daquela árvore
eu era caule, tronco e raiz
numa sombra memorável
daquela tarde agradável
eu fui uma fruta feliz

tromba língua

o elefante trombou
na pŕopria tromba,
daí as trombetas
trombetearam,
quanta tromba tem ação
mas que trombe teação!

Pára-taço

pára-taço
apara os raios que caem na cabeça
não te esqueça
das descargas que trazem azar
tanto que clamas pelo excesso dele

pára taço!
de passar mantega nas costas do gato
pra testar a própria sorte
não tem outro jeito
as coisas sempre caem de cabeça pra baixo
e grudam no chão

tantos anos tenta a sorte
captá-la para taço nos raios da televisão
com antenas das pequenas
as baratas que as tem
pensa quieto
segue calado
se as traço as absorvo eu também?

para taço
em papel carta e traços rotos que rabiscou
com nankin
pára de traçar o azar,
diz parate pra mim.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Para Ícaro

por mais incrível que possa parecer
sei do que estou falando dessa vez
ícaro é meu primo
e já deixou o labirinto
enganando seu pai
como ele sempre quis

pobre ícaro
meu parente infeliz
quem tem um sonho como esse afinal?
voar em direção ao Sol
tornaria à terra que nem sal,
feito em pó

ícaro, ícaro
chego a sentir dó

não que não fosse inconstante
o outro grego
seu semelhante,
a proximidade com aquela estrela
os uniu no desejo

sei que Ícaro sofreu
mas era esse seu ensejo,
embora macabro e mortal

ele tinha então asas pra voar
imagino que fosse impossível não fazê-lo,
sentir a brisa do mar fora do labirinto
não me venham dizer que nessa história minto
quando na verdade foi meu primo quem enganou seu pai

e como fosse avesso
à tropeços
ao prazer das asas se rendeu,
umas que o vi coser

não tenho negado nosso parentesco
desde então
à despeito do que possa parecer
deixou seu calabouço
mas para junto do pai sempre voltava,
ele havia dito ao menino
a verdade nua e crua

encontrei outro dia o Minotauro na rua
e ele me disse: "ícaro morreu",
não acreditei ...

... vieram me entregar os restos mortais de icaro essa manhã
quando finalmente chorei,
não balbuciei palavra
não se ouviu ruído
"melhor viver e voar uma vez do que não voar e ter morrido"

ih... pô!

hipogrifo
cavalo mítico
que sublinha rústico

ipogrifo
alado místico
kung fústico

ippongrifos...
apocalípticos
confúcicos

hipopótamos
hipocondríacos
estapafúrdicos

hipotálamos
palavreávamos
sem ter um dom

ippogrifos
travaram guerras
alando homens
gravando ippons

mentiras contadas a pouca luz

eu escrevo no escuro
não dá pra enxergar as letras assim
não sei que sentimentos me permeiam
tampouco os que passam por mim.

não sei mas sinto
não sei se minto
porque não sei.

domingo, 31 de maio de 2009

Zigvrik

sieg vic
stripulic
kbeção

sieg vic
it's on a blink
o coração

it's just one eye
andorinha
voa

sou filho do meu pai
e levo a vida
à toa

quinta-feira, 28 de maio de 2009

salgados

"saldade" é salgada mesmo
que nem torresmo
no meu feijão.

saudade
me dá vontade de viver à esmo
mas ela azeda
que nem limão.

percevejo

Poesia que sinto,
poesia que choro
poesia que vejo

Que minto,
que imploro
e que percevejo.

Me persegue onde moro
e pertuba o cortejo
poesia que evito
que ignoro
e que almejo.

Que é um rio que corre
e que sorri pra mim
é uma dor que morre
no labirinto do Arlecchin.

velório

Colhendo flórios do canteiro...
Cantando músicas no chuveiro.
Apagando o fogo do isqueiro,
Delírios passageiros,
De uma chuva quente de janeiro.
Cá entre nós flôr, caía pra tudo que era lado do floor,
Caía, caída, floria.
Doía, o dia
dia de velório,
dia de flório.

passa-vida

Vai passar!
E você também vai querida,
A roupa te espera no balcão.

Vá menina, me avie logo esse macacão!
Pra eu passar depressa por essa vida!

visão

Verdade,
é você?

É você de verdade?
Você é de verdade?
Ou é verde você?

Ver de você
Ver dá verdade
Vinde à verdade
Verdade à você!

água turvá

Numa tarde ensolarada
dessas em que a luz faz curva
a água do mar parecia meio turva,
e ali em frente ela se sentou e molhou.

Se achegou sorrateiro,
um moço escondido em si mesmo,
sôfrego, tímido e ligeiro...
ali se amontou e meio que à vista ficou lendo
mas palavra nenhuma se ouviu ele dizendo.

Era verdade seu moço,
que ele queria se livrar do quanto estava sofrendo.
Mas não se ouviu.

Quando ele chegou já era tarde,
o Sol queria ir embora
sem fazer alarde.
se compadeceu do pobre,
Um desatino.
mas também não poderia ele, o Sol, ficar pra sempre,
Solrrindo.

às ameaças,
de lhe deixar a companhia
transformou em palavras o seu coração
foi brusco e sem cortesia.

Era verdade seu moço?
você queria se livrar do quanto estava sofrendo.
Foi o que ele disse:

"Descobri inda pouco,
antes do início do amanhecer,
que estou apaixonado,
e que sofro
e que é você
o motivo da dor
que tanto me dói."

Aquela que se sentou em frente ao mar
não o entendia,
foi logo chegando,
se calou,
e de repente dizia:

"É verdade seu moço?
você queria se livrar do quanto estava sofrendo."
Foi o que ela disse.

Em meio a pasmaceirice,
e ao silêncio da dona que ali se apresentava,
ele perguntou se sentindo meio que afogado,
por uma imensa tromba d'água:

"Mas que haveremos nós dois de fazer com isso?"
Á pergunta que lhe impunha um compromisso ela respondeu sem titubear:
"Nada!"
E foram-se nadando em direção ao mar!

Res-piração

Estava perdida,
sem sentida
no meio de pele e respiração
não sei se estava entremeada por ela
ou se ela estava em mim,
se era minha ou se não era não

só sei que tinha suor
e que me faltava o ar,

a pele respirava,
as peles piravam
numa rélis piração

o suor misturava
era sal pra onde quer que houvesse tês
tinha uma gente maluca dançando
acho que eles perderam a cabeça de vez

entrei naquela dança
com a pele ardida,
perdida,
sem medo e sem noção

no meio da bôca
de onde eu sentia a sua pôca
respiração.

Provador.

Quem prova dor,
a trova
e quem a chove,
se molha.

Quem põe a dor,
à prova
é quem a move,
se olha.

Quem a chora se chuva?
é quem a ri no fim
há de prover o contento
onde há proveito pra mim.

Trava língua.

Tanto sonho anda por aí,
nadando.
São fôrma,
forma da imaginação.

Cheios de camadas,
nas ex-camas
os planejo.
Será que sou eu, ou eles
se afogam sozinhos,
enquanto não-são desejos.

Vagam,
e querem ser pescados,
no mar de sonhos,
da imensidão.

Na memória,
os fatos são sonhos,
imaginados
estes, que vem e que vão.

Que são sonhos, então?
e o que é viver
posso viver do passar
me afogar do sonhar
e tornar a ser.

Lá vai um sonho,
me rouba as notas
e o coração míngua,
feito um peixe fora d'água
que seca, se mata
e que me trava...
a língua!


Dementes, adeus.

Eles estão prontos pra dominar a minha mente,
entregue isso a ela, e vá!
Comparamos o DNA da escova de dente
com o da rainha de Sabá.
Trocamos todos os sentimentos por medo
nós temos receio de continuar.

Compramos aquele dedo
"Ahn?"
Foi o que ele disse,
vendo estapafúrdio albedo
daquela estrela, suas vestes
moldadas pela cultura pop
a quem me entreguei
entre rios.

Lembro-me de julgá-lo idiota por ter fingido
mais hipócrita é você
que tem se vendido
falsificando o significado das palavras.

Depois dessa sequência estranha
indentificaram cloro em suas vestes,
raramente se encontram indícios como esse
em um cachorro
que não tem casa
e eu que não sei mais onde moro.

São tantas referências modernas,
nós estávamos nos divorciando mas continuamos amigos
... à mínguos.
escondidos e confundidos
fundidos num balde de superficialidade.

Demos adeus a moralidade
e a Deus o que lhe pertence.
Nos julgamos superiores
a toda essa baboseira pendente
aos testes que eles fazem
de mentes,
dementes.

Demos a Deus
e a toda a gente, que agora passa fome
nós os deixamos lá
porque temos receio de continuar.
Eles dominaram a minha mente,
informe isso a ela, e vá!

Semiótica

Ontem eu acordei
já não lembro mais se era ontem
ou se hoje foi
e se realmente fui

Sonhei com esses seres
ex-tranhos e sensuais
bestas de uma sociedade secreta
discreta
e que me envolviam em uma trama
do conhecimento,
que com eles travei.

Sinceramente
aquelas bestas à minha volta
dominaram-me a mente
foi cruel
mas eles sabiam tudo,
o que há pra saber?

Foi quando mais experimentei a sensação da estranheza
de estética maniféstica beleza
fiquei indefesa
como que num julgamento
vermelho.

Ver melhor,
porque eram bestas
de um olho só
me rementem ao sangue.

Outro dia
que não me lembro quando
ou se o sonhei
as bestas se transformaram
em máscaras de uma exposição.

As bestas apocalípticas
que tinham um olho só
se comunicavam por signos
eram bestas semióticas

Lançavam-me olhares malignos
caóticas, neuróticas
as máscaras que tudo sabiam
as bestas
que me sorriam.

A fuga de um caramujo.

Um dia ainda fujo,
dessa mistura salgada
que tem se tornado meu rosto
que está pra mim como coisas que não são do meu gosto,
das que gosto
que foram minhas
e que estão perdidas.
São e me tornam sã
feito uma febre,
erradas e ardidas.

Uma mistura
essa locura,
de sal com gente,
salgada e quente
de sal com pele,
o sal compele
pra mim refúgio
que não tinha gosto
do qual eu, masoquista gosto
pra onde fujo,
e me mostro
compro o maquinista do trem.

Onde o sal navega marujo.
Eu fujo,
feito caramujo.


do que está perto dos olhos.

Eu aperto os olhos de felicidade!
Eu, à pé...
Horta aos olhos na feliz idade.
Eu, se há perto...enthorto os olhos.
Há óleos,
e inda mais perto há olhos.
E eu os aperto, na feliz cidade!

Vou, ando.

Nem tudo cabe dentro do coração
asas eles tem.

Nem tudo vira canção
vou,
ando...
voando
imagens
imaginação
imagens
pairando
ando...
fui
Nem tudo vira canção

Voando vais,
vendaval
leva meu vintém.

Nem tudo cabe dentro do coração
porque voa também.

Afogamento por tinta.


Eis que me vi dentro daquele quadro,
não pude voltar de lá
era gelado
e sem respiração
era capim, verde, limão
pra tudo que era lado
da imaginação.

Circo

Nem todo dia tem mar,
há quem vá teimar
há que se ter mar
ah, que se há mar...
se há marão.

Nem todo dia é do mar,
há quem vá domar
há que ser do mar
Do mar o coração.

Poelvis

Pelvis the Elvis enquanto me descrevia
transformava a mim e a minha vida em poesia
"você é viciada em sentimentos!"
era o que ele dizia.

Digo que o que vejo
transformo em palavras
e que elas me faltam
e que não são suficientes.

Sou viciada em sonhos
e em mentes.

Conjugações tropeceiras.

Eu tropico,
Tu tropicas
Ele tropi Cal
Nós tropicAMO
Vós tropi no Cais
Eles caíram dis costas!

Cassarola.

Eu gosto de caçar palavras
pra contar com elas
o que a vida tem

Gosto de montar palavras
pra libertar nelas
um sentimento refém

Desmontar palavras
me encobrir delas
pra me esconder também