quarta-feira, 29 de outubro de 2014

a castração da imaginação é a principal responsável pela manutenção da situação mental e aparente  situação material em que nos encontramos na medida em que a percepção do mundo material é uma ilusão da mente. habitamos os mundos que imaginamos.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

revolução

Abro a geladeira. Pra minha grande surpresa, está lá a garrafinha de leite de côco. Confusa, entendo que o triste episódio em que despejei seu conteúdo no lixo aconteceu em sonho. Nos meus sonhos mais nítidos, os sentimentos manifestos, expressivos, vívidos, estão associados a situações inusitadas. Tsunamis gigantescos, cataclismos ou passeios voadores pelo Sistema Solar. Muito raro quando situações cotidianas acontecem de maneira tão límpida e transparente no sonho. Também poucas vezes existiu a percepção da confusão entre o sonho - aquele sonhado com uma cena cotidiana - e a realidade. As situações de confusão, confluência, permanecem adormecidas na bruma da fronteira entre sonho e 'vida real'. Na televisão, a repórter fala sobre a seca em Itu. Pra mim, o recado do sonho é claro: a revolução deve estar acontecendo em algum canto da minha mente. E então, porque não dizer que ela está começando a se espalhar por aí, pelo fluido do inconsciente coletivo ? Tanto faz. Porque essa é só mais uma que vai pra infinita coleção interminável e mutável da verdade.



quero ser humana
sem a dependência
não quero droga nenhuma
pra ter acesa a chama da minha onisciência
só descobrimos aquilo que imaginamos

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

comodismo

quero ir
não me deixem ficar
porque ficar tempo demais em qualquer lugar
é dar motivo para o apego às coisas pequenas
a cômoda situação é também muitas vezes sinônimo de estagnação da vida espiritual
quero ver gentes diferentes
porque a convivência
é muitas vezes motivo do apego às pessoas pequenas
aos motivos pequenos, as picuinhas
a cômoda amizade é também muitas vezes sinônimo de estagnação da vida emocional

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

presença

existem vários mundos
e acontecem coisas em todos eles
são as coisas os sonhos
são os sonhos outros mundos
ou outras coisas do mundo

o que diferencia a experiência que se tem de vida em cada um dos sonhos ?
é a presença
pra onde nossa atitude mental nos empurra
presença é o que dá substância ou a sensação de substância para a experimentação dos sonhos
e os mundos todos são sonhos eles
a realidade é o sonho que tem presença

podemos ter vários sonhos presentes
e desenvolver a capacidade de habitar múltiplos sonhos
tornando-os em múltiplas realidades.


distração

uma coisa autêntica, em certo sentido,
é a outrificação
outras pessoas
outros lugares
eles nos conectam com o que há de realidade

porque os outros nos conectam com o todo
e o todo, por fim,
somos também nós mesmos

não temos como escapar disso
precisamos do todo pra termos acesso à nós
está tudo ali e aqui dentro
o resto é uma grande distração



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

criação

eu crio mundos e mundos
e os habito todos instantâneamente
não é uma questão de gostar
é uma questão de aceitar que as coisas só acontecem nesses universos
é uma questão de repensar os acontecimentos
de ter paciência e gentileza com os próprios sentimentos e as próprias limitações
umas se manifestam em um mundo outras nos outros

os universos paralelos
são só mais um monte de possibilidades
eles são sempre criados
mesmo quando você acha que ele lhe é oferecido
este é criado pelo todo
e o que é o todo senão o conjunto de todos nós ?

crio a realidade e crio outras coisas também
onde tudo acontece e todos somos
a vida é uma questão de intuir todas as realidades
de alguma maneira
entender o que cada uma delas quer dizer

se você tentar entender as realidades à luz da racionalidade
a criatividade lhe escapa
a criatividade é singela,
ela sim é orgânica
primitiva forma de sentimento e da expressão humana
e é o místico canal da intuição

criar é intuir
e intuir é criação.

autoria

tô de passagem pelo mundo
a vida tá de passagem por mim
essas ideias não são minhas
não fui eu quem as concebeu assim
as ideias são livres
e é tudo por tudo pensado
cada verbo que passa por mim
é um ato do Universo do qual tenho me apropriado
e nada é meu porque eu é que sou de tudo
das coisas, os gestos; dos ventos, os beijos
dessas abobrinhas todas, o verde
que inundam falsa mente
o mar de caos que é o absurdo da compreensão
hoje sou eu
amanhã imensidão.

domingo, 19 de outubro de 2014

corrida

aprender a viver
deixa eu correr até o fim da faixa onde tem areia
deixa a água do mar bater até o calcanhar
o vento bater no cabelo
o cabelo encobrir o rosto
deixa as coisas de lado
desapega dos sentimentos
conhece as pessoas
lembra delas com os olhos e deixa as lembranças para as lágrimas
diz adeus
sonha acordado
sofre até colocar o coração pela boca
sente que é só até perceber que nunca está sozinho
se esqueça do outro até se lembrar de si mesmo
um dia de ventania
capta as ideias boas do mundo
dissipa as ideias boas pelo mundo
sorri para as pessoas
mas não sorri toda hora
o riso se perde na rotina
que faz perguntas curtas
e dá respostas caóticas
fala pouco
sente muito
sinto muito que é demais
sente um pouco do que é demais
tá no céu onde tudo é
existe como o bom e como o mau
nada existe para ser apenas contraponto
é tudo vivo
é tudo uma só
integração
e em tudo o que é mau reside um bem
todo bem guarda um mau adormecido
esquece a ciência porque ela é sempre igual a si mesma
não sai do lugar porque prendeu a imaginação humana em uma caixa
sem imaginação não há mundo
tudo o que há são as mudanças dos mundos imaginados
essa noite eu vivi um sonho
em uma praia linda de areias brancas
podia visualizar o mapa da praia na cabeça
a todo momento
podia ver a mim mesma flutuando no mapa
quis nadar entre uma ilha e outra
mas havia tubarões
tornei-me uma pessoa que tem medo de tubarões
anseio pelo nosso encontro, no entanto
agora que descobri quem quero amar
e a quem amo
como posso não viver ?
como posso deixar que seja assim ?
revolta-te
aceita-te
aceita
as coisas tem que ir embora
tudo se dissipa no fim da praia
dissipa-te
porque não há final dos tempos
finaliza
e seja sempre o começo
porque a vida e o tempo são mudança que não tem fim







domingo, 12 de outubro de 2014

Noite da tapioca

Gosto da noite. E nem tô falando dos sonhos que tenho com coisas que não vivo durante o dia tanto por não serem possíveis, como por serem impossíveis. Eu gosto das noites porque no fim de todas elas existe uma tapioca com manteiga e um café me esperando. Não exatamente esperando, mas em potência.