segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Bikes to Riccardo| Bici a Riccardo | Bicicletas para Riccardo

I was remembering,
one of these days, 
my bike rides around the canal
the beautiful sunsets
the colours
the weather
the ducks which Kong Yan wanted to hunt
and then I laugh out loud

many times I cried alone
watching the sunsets in my temporary bike.
I hope life brings me new bikes.

I hope life brings you "bikes" as well.




io ho ricordato,

uno di questi giorni,
in bicicletta intorno al canale:
i bellissimi tramonti;
i colori;
il tempo;
le anatre che Kong Yan voleva cacciare
e poi io ho riso ad alta voce

molte volte ho pianto da sola

guardando i tramonti della mia bici
spero che la vita mi porti nuove bici!

spero che la vita porti "bici" anche a te!



eu estava me lembrando

um dia desses
dos meus passeios de bicicleta em torno do canal:
o belo pôr-do-sol;
as cores;
o tempo;
os patos que Kong Yan queria caçar
e então ri bem alto

muitas vezes chorei sozinha

observando o pôr-do-sol da minha bicicleta temporária
espero que a vida me traga novas bicicletas!

Espero que a vida te dê "bicicletas" também!












terça-feira, 24 de setembro de 2013

Butterlies

I simply let them all
make fun with my face
I let them all
to give-me nothing more than a lie

I let them do it
because I feel terribly lonely in the midst of my feelings

their lies
more a company to me
than the taste of my own skin

I acccept it
to escape my own stories
and stuck in the joy of others' crazy imagination

I let them do it
because I feel
sometimes I need to accept what they have to give:
words slipping from their tongues
going straight into my ears
swimming pools into my mind

their lies
more a company to me
than the taste of their skin
and in the Local Group of galaxies
everything






domingo, 15 de setembro de 2013

O ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo

Havia um grupo de garotos brincando por ali. Quando nos aproximamos, com nosso grupo, percebemos que estavam no meio da rua. Participávamos todos de uma grande gincana. O nosso grupo era diferente do daqueles meninos que ali brincavam.
Súbito um carro - ou alguma coisa mais estranha que isso - atropelou os meninos. Nenhum deles morreu, mas seus corpos ficaram separados em pedaços espalhados pelo chão. Não havia sangue. Não havia desespero. Não se ouviram gritos. Mas ainda assim, era um grande problema ter partes de corpos espalhadas por aí. O nosso grupo se colocou a ajudar os rapazes. Abandonamos também a competição naquele momento.

Um dos garotos tinha ficado com a cabeça totalmente separada do corpo.  Eu não tinha dado conta do paradeiro do corpo e fui logo me aproximando da cabeça, que tinha sido arremessada pra bem longe. Fui me encontrar com ela, a cabeça do garoto. Tomei-a em minhas mãos. Segurei seu leve peso não sabendo muito bem como fazer aquilo. Era estranho. Não sabia se ele sentia dor. Não dava pra ver suas estranhas.

Olhei firme nos olhos dele, embora não me lembre muito bem se ele chegou a abri-los. Notei que era um garoto muito bonito. Uma beleza que ia muito além da beleza física. Os cabelos eram lisos e pretos com uma franja que lhe caía nos olhos. O rosto bastante branco. Não posso dizer se era alto, nem mesmo magro.

Sem saber o que estava fazendo, comecei a acariciar o cabelo dele. Cheirar o rosto, as bochechas e as proximidades da boca. Eu gostei muito do cheiro dele e de como ele ficava preso entre a fina penugem que cobria sua pele. É uma coisa incrível essa de cheirar as pessoas. Ao longo do cheiro você descobre as texturas e como elas podem se combinar e variar pra produzir os cheiros que guardamos em nosso corpo. Eu gostei tanto do cheiro daquele rosto que quando me lembro disso, ironicamente, fico sem ar. Mas naquele momento eu buscava o cheiro dele, como se buscasse o próprio ar. Como eu ia respirando ele, sentia que os meus pulmões se enchiam, mas não era só de ar, ou de cheiro.  Eram sentimentos pesados, que eu poderia descrever a sensação do passar pela laringe, pelo esôfago, pelo estômago e irem se instalar em todos os cantos ali dentro de mim, que ainda tinha um corpo pra sentir tanta coisa.

Como me senti à vontade e com vontade de fazê-lo, fui beijando seu rosto todo, as bochechas, os lábios. Devagar. Rápido. Percebi que era quente a sua boca e também dentro dele. Embora dentro dele fosse só uma cabeça, sem motivo pra ser quente. Era tão bom, que eu queria ter uma caixa pra guardar aquela sensação. À medida que nos beijávamos, sorriamos. Senti que o amava cada vez mais, e e era um amor muito grande, desses que eu só senti em sonhos.

Abracei aquela cabeça, como se nunca tivesse abraçado ninguém ou nada antes na vida. Com um tamanho desespero, uma urgência. Uma vontade de fazer a cabeça se fundir com o meu ser, com o meu próprio corpo. Abracei a cabeça como se estivesse abraçando seu corpo inteiro. Abracei a cabeça como se tivesse a necessidade de possuir a sua existência, como se ela fosse eu. A sensação mais mágica de todas é que me senti abraçada de corpo inteiro também. Inerte na felicidade daquele momento de troca. Feliz com o amor que eu, finalmente, podia dar pra alguém. Sem medos, sem jogos, sem pensar. Embora o amor com a cabeça parece direcionar-nos exatamente na direção contrária aos sentimentos.

Comecei a me perguntar como ele se sentia com aquela situação. Eu ali agarrando a cabeça dele, no meio de um acidente. Ele ali sem corpo. O que ele sentia? Poderia sentir? Ele não podia se mover. Não tinha escolha. Mas correspondeu aos meus cheiros, meus beijos, meus abraços, meus sorrisos. Estava sereno. Os olhos fechados e sem palavras. Era uma confiança mútua. Eu abraçava a cabeça e pensava bem forte: "você vai ficar bem!". Eu fiz amor com uma cabeça no meio de um cenário trágico. Um cenário que para a própria cabeça seria desesperador.

Não lembro exatamente da sequência de fatos que se desenrolou desde então. Mas sei que nos separamos por um tempo. Ele foi para algum lugar onde poderiam usar um pouco de magia para remendar seus pedaços. Os dois pedaços que tinham sido feitos dele. Muito tempo foi se passando e eu não tive mais notícias.

Num desses dias, eu me encontrei com um rapaz que tem as mesmas características físicas do garoto sem corpo. Não me lembro como, nem porque. Simplesmente aconteceu, no meio da rua, próximo ao local do acidente. Além da semelhança física ele demonstrou me conhecer. No começo eu achei que era o garoto sem corpo, mas não era não. Era apenas uma sombra. Ele falava demais e eu não confiava no que saia de sua boca. Não havia entre nós nenhuma ligação parecida com aquela que fica entre duas pessoas que tenham feito amor.

Começamos a nos beijar. Eu e aquele andróide esquisito. Eu achei que não fosse ter nenhum problema. Achei que o garoto sem corpo não voltaria mais e que era hora de tocar a minha vida adiante. Eu já tinha tentando esquecer o garoto sem corpo, mas eu não queria. É difícil abandonar, se desapegar de um sentimento como aquele. É uma pena ter que abrir de algo tão raro.

O garoto do corpo separado apareceu naquele dia. Ele estava fisicamente bem. Tinha novamente o corpo colado à cabeça. Ele ficou surpreso e pareceu muito triste ao ver que eu estava com a sua sombra. Meu coração partiu. A sensação era péssima. Eu nunca tinha feito aquilo e me senti muito mal por ter "enganado" o ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Eu me senti devastada pela tristeza que vi se manifestando com a presença dele. Nós nos separamos. Foi muito duro viver sabendo que havia aquela distância enorme entre nós. Uma distância que eu não poderia percorrer.

Lembrei que eu tinha uma espécie de encantamento pra usar. Não sei como eu tinha conseguido aquilo, eram uma coisa difícil de achar ou de fazer hoje em dia, e eu só tinha um. Era um encantamento do esquecimento. Decidi usá-lo para fazer o ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo esquecer a cena
que tinha visto naquele dia em que eu estava com a sua sombra.

Eu queria muito que ele não ficasse triste. Eu queria muito ficar com ele. Eu queria muito que ele não tivesse ficado triste por minha causa. Isso só seria possível se ele esquecesse o que tinha visto. Quando usei o encantamento, ele se esqueceu. Não estava mais triste. Mas mesmo estando perto de mim, nós não estávamos mais juntos. Eu não usei o encantamento em mim. Ainda me lembrava de tudo. Sabia o que tinha feito. Não havia mais sintonia em nosso pensamento.

Apareceu alguém no meio do meu sofrimento e me disse que a única maneira de eu me livrar daquilo
era contando a verdade ao ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Foi então o que fiz imediatamente. Não me lembro de sua reação. Não me lembro do que aconteceu. Depois acordei. Separada mais uma vez do ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Vários mundos distante.

Onde acordei não existem encantamentos, como tenho percebido duramente. Tudo que eu queria era me fazer esquecer que se pode ser tão feliz.







sexta-feira, 13 de setembro de 2013

sobre textos e poemas

eu tenho medo de escrever textos grandes. acho que entendo o por quê. é que quando eu começo a escrever me vem uma vontade de reportar cada mínimo detalhe que se passa na minha cabeça. não é uma obsessão pela descrição das coisas que eu vejo, mas uma vontade que começa pequena, mas que vai se tornando uma obsessão ao longo das linhas, de reportar tudo que sinto.
à medida que escrevo, parece que aquele tanto que eu penso vai ficando cada vez mais entediante. parece, a certo ponto, que tudo me escapa, porque a mão não é tão rápida quanto a cabeça, nem a memória tão boa quanto eu desejaria. essas quebras de simetria me deixam tremendamente frustrada e pra evitar uma sucessão de frustrações eu fujo de escrever.
não fui feita pra escrever grandes textos, nem mesmo contos. eu tenho ideias, e eu acho que elas são boas. eu me divirto com elas e, mais que isso, me divirto imaginando o texto, não as palavras em si, embora na maioria das vezes eu realmente imagine as palavras antes das tentativas de papel. mas parece que quando eu começo a escrever já estou cansada daquela ideia. ela parece velha, ficou sem graça. daí eu fujo. eu finjo.
eu fui feita para os textos menores. deve ser por isso que me dou tão bem com a poesia, ou com todo o texto que se passe por poema. aquele sentimento de frustração aqui eu desconheço. talvez seja melhor deixar indicado, subentendido, do que tentar descrever minuciosamente o que se sente, o que vem no fluxo dos pensamentos, e sentir a derrota. a proposta do poema é realmente essa: deixar tudo indicado.nada é certo. a contribuição do leitor é sempre importante, mas me parece que na poesia é ainda mais crucial do que em qualquer outro tipo de texto. a poesia é mais vaga, mais incompleta e ela é tão dependente de sentimentos aflorados, escondidos, que eu não sei em que medida as interpretações dos leitores se aproximam dos sentimentos escritos. daí eu me sinto protegida pela poesia. como se ela não revelasse a minha alma. mas ainda assim é muito bom quando alguém percebe alguma coisa ali escondida. aflora aquele sentimento único de compartilhar algo significativo com alguém.
poemas. poemas são curtos. não dá tempo de eu me cansar deles.

orgia

bruno me levou para uma orgia essa noite
tinha muita gente
mas eu só a avistei
e comecei a ter com ela

desde o começo, uma orgia
que eu nunca quis
todas essas pessoas com olhares sensuais
e eu, flertando com a preguiça

no meio do caminho, uma orgia
que eu precisava
e todas essas pessoas gemendo
e eu, comendo calada a preguiça

e bruno?
esbaldava-se.
eu lá jogada num sofá
com tanta preguiça!

demos uns pegas
devagarinho

e dancei também com elas
fizemos de tudo um pouco
a dois, a três
as preguiças e eu

não sou mais a mesma
depois dessa atropelança cansada

não pense que terminei a noite sozinha
que sorte!
saí ainda na companhia dela
fugimos juntas para o meu loft

uma orgia!
obrigada.
nunca cheguei a acreditar que eu seria capaz.

depois de todos, no final
a quem devo agradecer?







quinta-feira, 12 de setembro de 2013

...

não vou abandonar o que não faz sentido
não estou louca
mas eu queria estar

tudo que possuo
torna-se amarra

dizer olá a tanta gente
deixar de pensá-las
pois possuo as palavras
apenas enquanto não me escapam da boca

há coisa por aí que não se diz
e que poderia salvar o mundo
ele mesmo uma transmutação de paisagem
em pensamento, sentido e,
por fim, em palavra

era o céu
meu desejo
era o mar
minhas lágrimas
hoje é o deserto
meu coração

sem beirar a loucura ainda
abandonei muita coisa
mas não o sorriso,
esse me tem roubado






vindur í hárinu















era o vento
era ela

o sol se punha
e o mar se revoltava com sua partida

era o vento
e tudo que pude avistar
com aquela voação
dos seus cabelos
delineando o contorno dos montes

eram fios grossos e negros
que caíam formando as montanhas
como um ninho
feito pra guardar o Sol naquele se-pôr

Rugas

eu acho as rugas bonitas
elas acrescentam algo metafísico misterioso
à nossa personalidade

as rugas que me vão aparecendo
são marcas
de não-desistência

as rugas são cicatrizes heróicas,
ilustrações do tempo
pra mostrar que persistimos vivendo

e eu gosto delas!

sábado, 7 de setembro de 2013

sabotagem

descobrir que um outro te ama
não faz eu deixar de senti-lo
em meus braços seus abraços
e seu cheiro em mim
onde não sei mais
seus cabelos caem pelas costas
e cobrem meu rosto

descobrir que seus beijos são de outro
não me faz deixar de desejá-los
de chorá-los
no chuveiro
no escuro da minha cama
no vazio













não sei mais viver
é assombroso continuar
fala comigo
olha nos meus olhos
é o único meio de saber se tem alguém aí dentro
e aqui também.