terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma série de interrogações

O sentimento de não pertencimento
é dos mais estranhos
ele me faz deixar
de ser quem eu sou

não pertencer
me faz esquecer
o que eu gosto de ser

que é ser eu
quem sou

a minh'alma míngua
não tem palavra alguma
na ponta da língua

quando eu não pertenço
esqueço de colocar as interrogações
nos lugares devidos

as interrogações em mim
e em você
quais são

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Gostagem

Eu não tenho dinheiro.
Não tenho reconhecimento, que é diferente de dinheiro, mas as pessoas confundem.
(É importante deixar isso claro de uma vez por todas,
mesmo porque nada mais do que eu falo tem coisa alguma a ver com aquilo que já disse aqui.)

E nada disso me importa.
Às vezes sinto uma certa insegurança em meu coração quanto às coisas que decidi descartar.
Mas sei que essas coisas não me importam desse tamanho!

Eu também gosto de passar pelos lugares.
Os lugares que não cabem em mim, mas eu estou em todos eles.
É dessa forma de pertencimento mútuo que eu gosto.

Gosto de chuva e de olhar as paisagens.
Eu gosto de Liubliana com aqueles vários tênis pendurados nos cabos da fiação elétrica.

Eu gosto de andar por aí com as pessoas e de olhar dentro dos olhos delas.
Só pra ver o que tem lá.
Eu gosto do Verdi, que conheci na Paulista pedindo dinheiro pra comprar uma pedra de crack.
"Verdi, eu não me esqueço que você é um ET!"


Eu gosto mesmo é de pedir demissão dos empregos. Porque eu não gosto de trabalho de 8 às 5.
É bom estar naquele sufoco por um tempo, porque o gosto de se sentir livre, quando você chuta tudo pro alto, é o melhor que existe!

Eu gosto de chutar tudo pro alto! Eu me sinto dona de mim mesma.
É algo tão pequeno e tão ridículo de se sentir. Mas e daí? Eu gosto!

Eu gosto de passar por experiências das quais eu não gosto,
e contar tudo para as outras pessoas depois.
Eu gosto mesmo é de contar as coisas e de inventar os mundos!
Eu gosto do papel, da caneta, do pincel e da tinta.

Eu gosto de comer feijão com tomate derretido, até morrer.
E quando eu era criança, gostava de comer molho de tomate na xícara, fingindo que era sopa do programa social. Fingindo dar entrevista pro documentário.
Fingindo porque eu tinha medo da rotina. Porque eu tenho.

Eu gostava de fingir que eu era a empregada da raça gigante das bonecas carecas, que tinham uma casinha montada com caixa de pasta de dente, em cima da mesa da varanda.

Eu gostava de usar as roupas da minha avó! Eu gostava de não ser.
De imaginar a vida das formigas, fazendo compras em mercados dentro de árvores e achando que a trilha de água da roupa que a minha avó lavava era o Rio Amazonas.

Por isso, hoje eu gosto de querer aprender e apreender o mundo.
Eu quero comer de quase tudo que existe, menos do pequi.
Eu quero dançar tektonic. Mesmo que meu corpo não obedeça às minhas ordens mentais.

Eu gosto dos livros do Michael Ende e das músicas do Mogway.
Eu gosto do vazio e do silêncio das lembranças dos meus amigos mais amados.

Eu gosto de sair por aí dizendo que o Sol é só uma estrela michuruca.
Gosto de ver desenho em nuvem, porque eles aparecem assim tão naturalmente.
Gosto da vista do Cristo Redentor, lá da casa do Jaime, às cinco da manhã, usando o Galileoscópio montado com suporte de garrafa pet.

Gosto do jeito que minha mãe coça a garganta e de ouvir ela dizendo o quanto o cabelo dela é bom.
Eu gosto do som da voz do meu avô, que não ouço mais, perguntando se eu já estava "licionando".

Eu gosto de gostar de viver, e disso eu gosto tanto, que eu me sinto perdida.
Tem esse sentimento que às vezes me chega, que não chega a ser felicidade. Não é meu.
É como se fosse a felicidade das árvores e do céu.
Como se oferecessem de si: "Ei, nós somos felizes, porque estamos misturados com o Universo. Quer um pouquinho disso pra você?"

É uma coisa assim que invade a minha garganta: a vida.
Não sinto mais que eu sou eu, mas que sou todos.
Eu sou só aquele gostar, e me esqueço de mim, que gosta tanto.








segunda-feira, 18 de junho de 2012

cara, esses dias eu tava andando numa estrada de trem, num skate transparente. um tipo de skate que deixa as pernas esticadas pra frente, tipo rolimã... era impressionantemente real...daí acordei.
Saibam que no dia 18 de junho de 2009, 2001 pessoas visualizaram este blog. A partir de hoje, esse blog é uma Odisséia na Internet! ... macacos fizeram uma fogueira no passado, e bebês chorarão lágrimas azuis no futuro. Stanley Kubrick, aqui vou eu!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Moça torta, agora uma outra

Eu sou aquela moça torta
já não me importa
entre por essa porta
e não diz mais nada

eu sou a sua namorada
aparvalhada
e já estou assim tão calada
não fiz nenhuma canção

Tudo que eu não fiz
foi tentar ser feliz ao seu lado
meu namorado, meu chamariz

Eu sou aquela mosca morta
aqui jaz
um ser de asas..
me leve pra sua casa
e anjo eu também já fui

Eu sou aquela moça torta
que faz propaganda
quero tocar na sua banda
e ser malandra outra vez

Tudo que a gente fez
foi tentar deixar de ser
alegrar, baterm perder
esquecer de tocar a vida

eu era aquela baleia orca
a  veia aorta
me leve na sua prancha
na sua lancha



domingo, 13 de maio de 2012

Moça Torta




Eu sou uma moça torta...
assim meio doce.
Daquelas com chocolate cremoso na parte de dentro, e calda na parte de fora.
Enjoa.

Eu sou uma moça torta...
assim meio ingênua.
Daquelas que se apaixonam pela pessoa errada.
E as pessoas enjoam de tortuosidades.

A vida é uma dor que se repete,
por tortuosos caminhos.

Eu sou aquela moça torta.
Que pinta nas paredes um carrinho com guarda-chuva,
e que se arrisca a riscar mais uma vez.

A vida é um desenho que se repete,
em tortas paredes.

Eu sou o retrato da moça torta, que renasceu depois de 15 longos anos para homenagear Matisse.
Em tons de laranja, só que agora mais magra.
Meus olhos tortos miram longe, porque miram lugar algum.
... aquela moça que olhava por pulos de sonho em sonho.
Sou essa moça ainda.




sexta-feira, 27 de abril de 2012

mentiras

Porque as pessoas mentem?
E porque eu, que nunca tive nada a ver com essa história de mentir, minto pra mim mesma achando que isso não acontece?

Não creia nele! Tenha um pingo de humanidade.
Eu vou te contar do que são capazes as pessoas nubladas.

... e meu coração, que está sem batida.
Minh´alma é meu peso agora.
Como eu queria me livrar dela!


O que leva as pessoas dessa tal maneira a serem crentes?
E eu, que nunca tive nada a ver com essa história de crença, acredito em um qualquer um, que tenha cara de dó.


Vá se esbaldar na puta que pariu!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Queimem nunca tive

Eu sou aquela menina feia
e uma garota calada.
Tenho me sentido velha, tanto quanto menopauseada

Eu tenho feito de tudo
mas parece que nada fiz

Consigo terminar de fiar letra sequer.
Não tenho tido poema,
e tampouco o fiel amigo.

Quem nunca tive?
E tive a mim?




domingo, 15 de abril de 2012

Gangrena

Não é mais minha. Sei bem.
Não repita.

Mas ainda o é, por uma espécie de apego.
Um buraco é.
Um sentimento de incapacidade absurdo.

É mais nada.
Mas ainda machuca
essa perna gangrenada,
que vai ficar incomodando por um bom tempo.
Como se ainda existisse, e fosse minha.

E no começo vai ser assim mesmo.
Ela coça. Eu coço. Ando eu, e tropeço.
Não tem mais perna.

Tenho medo de ficar só.
... de ficar sem ela. Confesso.
Como será? Como serão os dias?
Pra onde caminhar, sem perna?

Os eu´s, que não sou mais.
Tornarei a sê-los?
Recuperar um pouco de mim, que se perdeu nela, que se perdeu no outro.
Quanto do que sou era ela?

Não tenho que deixar nada claro com 32 palavras.
Era minha perna! Isso basta para criar um caso.
Não venham me exaurir as forças!
Deixem-me!
Chorando a noite toda.

Minha Perna se vai.
Que dor!

Ainda não fiz planos para viver assim.
Não sei como, mas sei que vou.
Foi bom tê-la.
E sem ela, não teria encontrado um sem número de lugares imaginários.
Não a teria levado também, para novos mundos.
Obrigada, Perna! 

Melhor lembrar da perna boa, quando saudável e andante.
Perna-dançante.
Agora ainda te expio e ainda me expia a dor da sua perda.
Já não era amor, Perna. Era já gangrena.

Arranque-me isso logo de uma vez!

terça-feira, 3 de abril de 2012

ídolo


Eu só gosto de dois tipos de costeletas: as de porco e as do Isaac Asimov.
Mas eu confesso que não gosto de ver porcos usando óculos de grau.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Blógs

Sabe esse meu último trabalho?
Eu queria muito que ele tivesse feito sucesso, mas parece que quebrou as pernas e vai precisar de gesso.
Agora eu é que tenho que lhe dar o banho e descascar o abacaxi.

Esses meus últimos filhos intelectuais não me deram nenhuma alegria.
Esperava que me estimulassem, que me pagassem o INSS e me ajudassem a enfrentar a velhice porvindoura.

Deixaram-me à deriva, à miúde.
Esses filhos que não me deram nenhum orgulho, tampouco fama ou um plano de saúde.

Graça grátis.

Acho que não levo muito jeito para a tragédia.
Daquelas genuínas em que as palavras jorram sangue e sugam lágrimas.
Tento escrever algo que transpareça como a minha alma se sente frustrada. Diluída.
Mas parece mais é que eu não consigo.
Meu lápis ou pena, logo da palavra se torna amigo.
E tudo que eu sentia trágico se torna cômico no papel.
É um trem tão doido que até eu, que não tinha nada a ver com essa coisa de rir da minha própria desgraça, começo a me sentir assim, meio engraçada.

Pimenta no cachorro dos outros

Eu imagino que essa carta vai parecer totalmente sem sentido, mas estou me sentindo muito solitária.
Eu espero que sentindo-se aprisionada, como está a solidão, tente fugir, encontrando nessas palavras que me escapam o único meio de fazê-lo.

Essa carta é só um apelo de proximidade emocional. 
Uma experiência emocional interessante, uma vez que a ideia do desabafo me fez sentir como se uns três kilos de oxigênio deixassem a minha cabeça, a zona frontal dela, ou o córtex. Talvez.

Nos meus dentes, açúcar. Também neles a lembrança de um amigo que fiz hoje. 
Um cachorro que me seguiu fielmente pela rua do córrego.
Eu gosto dos cachorros e dos mendigos. Já a rua do córrego cheira bastante mal. 
Sim, eu prometo aprender a construir frases mais complexas para me expressar, no futuro.

Havia chocolates por toda a parte e o cachorro estava com uma amiga, a cachorra preta de tetas grandes.
Não soube por quanto tempo estiveram juntos antes do nosso encontro. O cachorro não respondeu nenhuma das perguntas que lho fiz. Mas ela, a tetuda, nos seguiu todo o tempo. Ele espiava, procurando por ela.

No fim, ele me trocou definitivamente pela cachorra preta. 
Eu, obrigada e ressentida, contentei-me com um caldo de feijão.
Foi um contentamento barato, dos mais apimentados.

As pessoas sempre põe pimenta nos caldinhos de feijão de segunda classe.
Eu adoro pimenta, mas prefiro colocar eu mesma ela no prato. Só pra ter certeza de que não estão tentando disfarçar nenhum sabor do qual eu possa não gostar.

Na verdade, nada disso faz muito sentido.

domingo, 25 de março de 2012

caiu

caio assunção, o Bach acabou de me ligar pra agradecer por você ter lembrado
de incluir o nome dele na sua lista de melhores compositores ever!
diga-me se você caiu nessa, caio.

Ted

Tédio.Oh Santa Malemolência.
Pregiça, procrastinança.
Ele é uma nuvem que dança
em cima da minha cabeça.

Pra que tédio há um remédio?
E para a rima não há.

São tantas as tardes de domingo,
onde um gato que mia
disputa com o narrador de futebol que cansa.

Tédio. São avós do Sílvio Luís.
No meio do ruído branco, aquela sombra impaciente
Uma mordaça que almejo e um copo vazio.

Carambelança

meu cabelo embaraça
e me vejo no meio dele sem ar

é uma trança
é uma traça
que engole
toda a água mole do mar

meu cabelo é um caracol
quando vem nele pousar uma mosca de padaria
e com o bicho ele dança
numa cabelança
que se caramela na ventania

cabelo que brota marrom
onde dele escorria um dread

da ponta até a raiz
cacheado cabelo
que me sai pelos ombros
feito água espetaculosa de chafariz

cabelo que faz o céu nublado
e que quando descabelado
nubla o firmamento também

cabelo molhado
que então chove

cabelo grotesco pequenininho que enrola
com gosto de cabo de guarda-chuva
e cheiro de carambola

e assim, numa cabeludez danada
trovoa matreiro e escorre
esse meu cabelo arrepiado
que na tesoura morre








quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

João Careca

João Careca era tão loco, que quando ele pensava, até os cabelos que tinha na cabeça começaram a fugir.

Rotina

Ué! Não era pra você chegar agora! - droga.
Ahm? Eu sempre chego essa hora...
Raio Silveeer!
Socorro, tem uma menina correndo atrás de mim com cara de maluca!
hahahahaha, você não vai escapar!
       mudsmash madimud
Não era pra você ter chegado agora, porque eu ainda não terminei de fazer o risoto. Risoto é um prato engraçado, porque faz a gente dar risada, ainda mais quando bem acompanhado de um Merlot.
Hum, jantarzinho! Vou tomar banho então.
Tá. Volta logo, que eu tô morrendo de fome!
      shuásheizers sheishuah lá
      tssssctahsc aqui
Vou servir você. Abre a garrafa de vinho, por favor?
Parece bom!
Claro, fui eu que fiz! Risoto de Ricota Rido. Não é engraçado?
É sim Vicka, muito engraçado. Mas me conta, o que você fez hoje? Eu tenho um monte de coisas pra contar.
Ah, legal! Coisas do colégio?
Também.
Mas então, você já ficou sabendo pra onde vai na Desocupação?
Sim. Vou pra Mercúrio.
hahahaha. Sério?
Sim.
Bizarro. Bom, eu dei uma olhada nas listas que o MD liberou hoje à tarde, mas não achei seu nome. Foi lá que você se encontrou?
Não. recebi um email do MD.
Aquele cadastro é incrível! Imagine. São 6 bilhões de linhas...
... e quantas colunas?
Uma coluna pra nome, outra pra endereço, outra pra filiação, outra pra ascendência planetária ...
...ridícolo! Todo mundo é da Terra, porque uma coluna pra ascendência planetária?
Acorda! Ascendência planetária porque nem todos estavam no mesmo planeta antes de estar aqui.
Ah. Verdade.
Mas então, eu dei uma pesquisada no cadastro e encontrei meu nome.
E aí, pra qual planeta você vai?
Adivinha!
NX-34?
       rarg!
NX-33?
Te mato, diabo!
Júpiter?
Não.
Saturno?
Também não.
Algum dos gasosos?
Nem.
Algum dos rochosos?
Claro que não! Acha?
Sei lá então.
Vega!
¬ ¬... Vega não é planeta!
Sim, mas eu quis dizer em termos habitacionais. Na verdade, Vega é a evolução planetária. Outra fase. Nem se compara à qualidade de vida que temos aqui, ou em qualquer outro lugar do Sistema Solar!
hummmm. Tá gostoso o risoto.
Ah é? Você achou? Pensei em colocar uvas. Acho que combinaria, mas não quis arriscar.
Boa ideia!
         slepsleptsc
Tantas uvas acho que não vai ficar bom... Enfim, em Vegas tem tantas coisas maravilhosas: cassinos, praias. Tudo me lembra Las Vegas, mas enfim, foi só uma piada.
E você sabe como será sua vida em Vegas? ops, Vega?
Não, ainda não. Mas não tem problema já que lá não existe essa questão das classes sociais ou de dinheiro.
Não existe dinheiro, mas existem cassinos? Ahm? Você tá inventando isso!
Claro que não. Você só está com inveja porque eu vou sair desse Sistema.
Aliás, você já sabe quando vai?
Ainda não, e você?
Semana que vem.
Nossa, já? Que tipo de condução vocês vão pegar?
Não sei.
Eu sei que nós vamos de Atlantis, devemos chegar lá em uns 5 dias, mais ou menos.
O mesmo tempo que eu levo pra chegar em Mercúrio...
Hum, mas é por pouco tempo que você fica em Mercúrio, né. Acho que nos seus primeiros saltos você consegue sair de lá. Você cometeu alguns erros, mas não pode ser condenado à Mercúrio por muitas gerações. Desculpe minha sinceridade, mas acho que você merecia algo melhor.
Hmm, vamos deixar isso de lado. Um brinde a mim!
         timtim timtim
Esse foi o melhor gole de vinho que eu tomei até agora...
Bom, então você vai mesmo na semana que vem... acho que ainda devo demorar mais um mês, não mais que isso. Já que a Terra não tem muito mais tempo.
...
...
...
...
Ei! Que tá havendo? Porque está chorando?
Eu não sei muito bem como dizer isso...
O quê?
... é que eu menti pra você.
Mentiu como?
Eu não vou pra Vega coisa nenhuma!
           muamuamuamaua
Vai pra onde, então?
... pra Vênus.