domingo, 21 de fevereiro de 2010

Céutemusique.

Explodiram em confeti
dois pássaros que estavam no ninho,
deixando para nós, asas.

Logo no primeiro vôo,
banhou-nos uma chuva achocolatada.
Vi que escorria da boca de guaxinins gigantes,
descobrimos em nós, guelras.

Nadávamos no mar-rom doce,
empurrava-nos para o fundo
o dono do mar.
Sufocávamos, socorreram-nos guarda-chuvas.

Ficamos com eles, partilhamos de sua mesa, travamos batalha.
Adormecemos.
Percebi patas e partimos.
Há silêncio nas fugas.
Não temas nelas a ausência.
Faz tempo bom nas profundezas.

Quem somos agora que tornamos?
As estranhas nos entranham.
Vigiam nossas asas,
fiscalizam-nos as guelras.
Somos abissais.

Quem são vocês que são os nossos?
Agora que tornamos de tudo.
Não nos temam.
Há asas e confeti para todos, creio.

No dia de uma sessão solene,
trouxe em nossa defesa apenas sonhos.
Havia um olho invisível em mim.
Mire-os com ele e não mintas.

Não tenha medo da ausência de palavras.
Não as tema também.
Temos asas, guelras, olhos e provisões.
Um Rei os reconheceria.
Não te escondas, faz tempo bom.












Era o cúmulo Nimbus.

Como o sono e um dia inteiro,
a letárgica tarde passara em forma de cumulus.
Absurdamente preguiçosa.

Umas lagartixas vieram fazer visita,
às moscas lá estava Nimbus.
Pronto para adentrar a madrugada
feito como quem vai dormindo.

Como um dia inteiro com sono,
um cúmulo as nuvens passarem letárgicas.
A tarde absurda, quanta preguiça!

Comem as lagartixas as moscas.
Lá estava Nimbus,
espreitando-as preguiçosamente.
Sonífero, absurdo,
feito quem acorda de um sonho demente.

A corda Nimbus,
agarra-a!
Usa-a, quem sabe,
para laçar esse mundo.



sábado, 20 de fevereiro de 2010

Dois plágios sucessivos e a tarde.

Meia dúzia de elfos valentes,
ouço o violino os incitando agora.
Vontades e suores,
são pequenas criaturas.
Naquela tarde o Sol tocava a montanha,
emitindo um som motorizado.

Ouço um elfo na montanha,
incitando meia dúzia delas.
Agora vontades pequenas
tocam as criaturas.
Violinos valentes
emitem um som suado.
Naquela tarde, o Sol motorizado.

Motores tocados por elfos.
Ouço criaturas incitando a tarde,
emitindo com violinos pequenos
meia dúzia de vontades.
A montanha de sons valentes,
suada de Sol.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Historieta e Historiota.


Maria Historieta era prima de Historiota Joaquina.
Ambas eram filhas de reis com engenheiras
e comiam batatas como todas as boas meninas.

Historieta nascera dentro de uma maleta,
ocasião em que não se ouviu um pio.
Historiota ao nascer era poliglota,
e entoava um grito de dar calafrio.

Deve-se acrescentar que Maria era divina,
ao contrário de sua parente Joaquina.
Ao atingir idade adulta
fugiram para a vida cirsense.
Depois de alguns anos Historiota virou advogada
e Historieta médica forense.