terça-feira, 27 de outubro de 2009

Repolho podre para os animais de baixo calão.


Lá, Garto
o garfo largado,
cheio de restos mortais
deles, os outros animais.

Lá Garto
larga de ser mole ow!
A largatixa te ultrapassa
e Lá de longe se vê
que até mesmo a tartaruga
ganha de você.

Vi um lagarto andando
pelas gramas da matemática,
meu coração disparou
de verde que eram eles dois se confundindo,
o lagarto foi pra lá
debaixo da construção, debaixo de uma sacada
onde o chucro palhaço Chucrute,
o repolhista alemão,
repousa.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mar Duque vulgo Chá de Mate.


Enquanto fazia meu passeio matinal mental - hoje em lugares por onde não me arrisco muito com medo de ariscos animais selvagens ou do limo escorregadio das pedras - recebi a má notícia de dez mil anos atrás, como a queria Raul Seixas. Eis que me surgiu um pequeno, vestido como se fosse um eremita futurista - num trage fashion nostradâmico - anunciando como a sibila drogada, que o mundo haveria de acabar em 2012. Fiquei tranquila, porque ainda há tempo. Não sabia me dizer o profético em tom poético, se era pela estabilidade cósmica última, o máximo da entropia - que transforma tudo que existe no estático, sem vida - que o universo ia dar de acabar. E se fosse uma luta entre Vishnu e Marduk? E se Tiamat viesse em socorro de algum deles? Ressurgida das próprias cinzas, feito a fênix de encanto quebra-fractal. Chegaram as más notícias do fim, cegaram elas, aos homens. Parece as vezes que o Universo é feito de um fluido, que não importa bater o caminhão no poste. A ação, mesmo que condenável, é irresistivelmente inevitável. É o escoar de tudo que existe ou da energia do vácuo, que se condensa e que torna a ser outro mundo. Se esse acabar, certamente surgirão outros, e talvez estejamos neles, se não nós, enquanto esses que não evitam o inevitável, o que em nós existe. O universo acaba sem ter tido um começo, ou sem saber o que era antes dele. Uma galinha que bota ovos que se quebram, feitos os pedaços de desorganização, de informação do espaço, uma densidade escura. Será o fim do calendário maia mais uma vez. Talvez tivesse sido hoje às seis da tarde, como me disseram os meninos de raios cósmicos. Talvez lutassem Tiamat e Marduk no íntimo de cada um de nós. O antigo contra o novo, definidos na mudança fluida do tempo. O que lhes disse eu às seis e um? Que talvez os maias não soubessem trabalhar com constantes de integração ... nada me parece mais razoável.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Padupoulos

Quanto à você meu amigo,
se sente cinza essa tarde
como eu na multidão de cores,
me ouve e fala pra mim

Pensamos a mesma coisa dolorosa
e sobre ela, se debruça a tarde
sobre meu choro e o seu que não é de lágrima,
tão distante e sem fim

Penso que você me entende
ou apenas sinto que desse jeito é
por vezes, não trocamos mais que meia dúzia de palavras
sobre o mundo que se insurge dentro de nós

O mundo está lá fora
e você arregaça as mangas de campos na Londres cinzenta,
"mais um"que somos nos metrôs por aí.

O que incomoda em viver
é sem ter por onde
sem ter ninguém e ao mesmo tempo ter,
tido.

O mundo está lá fora demais
e é isso o que dói.

Lembra-me, lambari-me
pedaços de memórias de dezoito anos
as risadas de "gipsys" e as alucinações coletivas,
literalmente Me Likan,
por onde passeam cálculos de geometrias analíticas,
Padupoulos é pra você
que sempre me faz e me ouve as críticas.





quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quantupatuhá em Pasárgada

Quando você voltar de Pasárgada,
eu vou estar,
mas pra onde vou

... inda não sei,
em Pasárgada não me querem,
lá ,você se finge de Rei
e se esquiva do "amor" que sentem.

Quando você voltar da cama das Mulheres,
vou te pedir que retornes àqueles outros braços,
Joana a louca, me acompanhará
tal como é sabido aprecio os dementes e insanos.

Quando retornar,
- da sua viagem de não mais do que um ano por trinta e poucos países-
encontre em um outro lugar o homem de bicicleta
e dê a ele uma moeda
tenha senso de direção e não seja um copista de mapas,
me conte histórias dos mendigos nas estações
- se houver, se os ouvir -
e me diga se sentir que os ama.

Quando voltar de Pasárgada estarei aqui,
talvez do lado de lá
mas inda estarei,
avise-me com trombetas
no fingir-se ainda de Rei.






quinta-feira, 8 de outubro de 2009

en-xame


Frei Tag,
foi o drink que tomou Morrison
numa tarde calorenta da cidade infernorenta
seu êbbado maldito!
tem tanto álcool no sangue
que pode até pegar fogo!
êbbado inútil, êbbado infame...
inflame
in flames.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Poe


Ah, lê guria!
Poe favor!
Tem uns urubus na janela sentados
aguardente para comer a carcaça destas poesias.

Leia e me salve dos urubus,
e do disco-voador que vem das estrelas.

Quem não égide retorna ao mundo das fadas
e dos sonhos Morfeu é quem conhece bem,
esse cara sombrio se chamava Edgar,
me disseram que seus papéis morreram comidos por eles
mas não hoje,
porque os bombeiros o resgataram do prédio em chamas,
usando escadas.

Leia,
me salve
tenho medo de universos infinitos e de almas penadas!




terça-feira, 6 de outubro de 2009

Segundo Round

De acordo com Round "Broflóviskis mévers e
Bardorilingians confort styles".
O que gerou controvérsia, mas, segundo ele também "Jiranvuskas pombagira,
and they'll keep it in circles
for miles".

Revista Boxe para extrangulados, segundos depois Kaious

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Esse foi o fim de Martin Tygel


Martin Tygel
viajou pra Alemanha
Martin Tygel
não gostava de aranha...
e sua repulsa era tamanha
que o fez tripudiar sobre vocês.
Martin Tygel tem medo
mas foi pra África de sopetão
arranjou nas malas uns livros sobre como ganhar medalhas
e foi comido por um leão.

Fog

Os bardos agitaram-se com suas trombetas,
um cenário tenebroso se desenrolava,
Anunciaram "tsunamis" cataclísmicos
de altura meio milhão.

Era findo nosso tempo no templo dos sonhos
economizei nas palavras
e fugimos todos juntos,
em silêncio,
reconhecendo o fim.

Que haveria depois do mar?
Depois de todo o mar.

Ventava até dentro daquelas choupanas
onde nos escondemos,
eles sentiram sono ...
e de repente o resto do mundo dormia.

Queria ver as ondas.

Os sons eram delicados
- apesar da força sem tamanho das águas -
imaginei-os de forma tal
que se tornaram audíveis à distância.

Escondi-me em algum lugar
avistei-as se aproximando
era impossível escapar do vento
não havia distinção entre nuvens
de céu e de mar.

Preencheu-se o meu peito de uma certeza
"Não temer a morte
e não ter fim"
lembrei-me dos outros que adormeceram,
quando tudo acabou acordei sozinha nesse lugar
as ondas inda as tenho,
permaneceram em mim.













sexta-feira, 2 de outubro de 2009


O mar é a mente.
No meio daquela gente
a maré me leva a pensar igual,
a maré me leva a pensar,
quanto pesar eu sinto.

Evitar a dança dos afogados
no meio daquela trança.
Ah! - Lamento, mas não fui eu quem se despediu
de Poseidon.

Que posso fazer pra escapar de tanta água,
onde se afoga toda a câmara dos comuns,
na vingança declarada do Deus líquido,
por serem eles o que estão.

Agora o burburinho das fofocas
matinais de vocês,
que saíram pra aproveitar a neve
- como me incomodam -
com seus pares novos de patins e seus casacos de pele.

Os restos mortais da tormenta atingiram a outra margem
deixando os que ficaram cheios de certezas.
Se aquele mar de gente não me tivesse dominado,
talvez desfrutássemos de uma posição heróica.

Não quero lembranças derrotistas,
no meio de sua imensidão me afogo eu também
e no amargor do sal,
em vestígios seus
- não os quero -
vestígios os de ninguém.