quarta-feira, 30 de setembro de 2015

soulf-portrait



sou todos os lírios
mas vivo preso na ilusão de que sou um apenas
quando reconheço os beija-flores
um dos lírios que sou se ilumina
e vejo que não sou eu que sou todos os lírios, mas que todos somos um lírio só, que é o jardim inteiro...

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sísifo

Se bonde não andasse sobre trilho, diria que o bonde da história é movido pela roda de Sísifo.
Mas é que Sísifo não empurra exatamente uma roda.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

cores dentro dos olhos

quando eu era pequena fechava os olhos na frente do Sol.
eu via que isso me fazia ver várias, milhões de cores dentro do meu próprio olho.
eu olhava pra dentro de um olho e tava lá uma coisa loca. olhava pra dentro do outro e tinham várias cores também.
se eu me focasse dentro de um olho só, eu via que as cores iam se transformando em outras cores. era como se as cores fossem caindo dentro de um túnel, que ia ficando cada vez mais profundo. as cores iam desabrochando em outras cores.
essa era uma coisa que eu adorava fazer quando era criança: olhar para o Sol de olho fechado.
parece que tinham vários eu's dentro de mim naquele momento. eles se revelavam. não sei dizer. às vezes eu achava que tinha 3 pessoas dentro de mim. uma que falava, a outra que discutia com a que falava e uma outra que sabia, sem usar palavras, que nada daquilo fazia sentido. essa terceira pessoa, uma pessoa mais profunda, ela sabia das coisas. mas ela nunca me contava nada de uma maneira direta, mesmo porque ela não interage comigo, nunca interagiu. ela era eu. mas um eu profundo. não sei explicar melhor. mas eu gostava de sentir quando isso tava acontecendo. quando eu percebia a existência dos três eu's aqui dentro.
eu também gostava de torcer o meu corpo todo, ficar de cabeça pra baixo e ver o céu azul nessa posição. também sempre tentei voar. eu achava que podia fazer tudo que eu quisesse. tudo era possível. eu achei isso durante muitos anos. por algum tempo eu meio que perdi a fé nisso. aos poucos. há algum tempo, quando percebi que isso tava morrendo dentro do meu peito, decidi me buscar. hoje eu sinto que estou de volta. é diferente. é mais sereno. estou de volta.

telepatia

Quando eu era criança, uns 4 ou 5 anos, ou, melhor dizendo, desde quando era criança tinha uma certa obsessão por comunicação através da mente. Meu pai ia trabalhar na fazenda e ele ficava muito tempo fora. Eu queria me comunicar com ele. Lembro que ele tinha um par de walkie-talkies. Verdes. Quadradões. Gigantescos. Aqueles walkie-talkies pra mim era o máximo ! Dentro da cidade funcionavam perfeitamente bem. Eu conseguia falar com meu pai quando ele estava há alguns metros de distância. Mas quando ele ia pra fazenda, a coisa não funcionava bem. Era frustrante pra mim ver que o walkie-talkie não funcionava a longas distâncias. Essa bem que poderia ser a comovente história de uma garotinha que pensou em um walkie-talkie que funcionasse a longas distâncias, que depois alguém batizou de celular, mas eu nunca inventei nada disso, e, naquela época já deviam, inclusive existir protótipos de telefones celulares.
Mas a coisa do walkie-talkie não funcionar à longas distâncias me fez pensar em algo muito mais legal que celular : comunicação através do pensamento ! Era bem óbvio pra mim que aquilo deveria funcionar. Eu pensar em alguma coisa e enviar o pensamento pra outra pessoa, que estava à grande distância. Parecia óbvio pra mim que a outra pessoa, nesse caso meu pai, captaria o meu pensamento. Então eu e meu pai começamos a treinar. Embora eu não saiba com que seriedade meu pai estava levando esse projeto e, aliás, até hoje não sei. Mas a gente fazia assim : eu pensava em uma palavra, ou alguma coisa durante o dia e enviava pro meu pai. Quando ele voltava pra casa eu perguntava no que ele tinha pensado, ou recebido. E aí a gente conferia. Não sei quanto tempo durou o treinamento, não lembro se a coisa evoluiu, mas acho que não. Mas eu nunca desisti de me comunicar com as pessoas pelo pensamento. Eu tenho tentado por aí, mas não tem dado muito certo.  Não pra efeitos de comunicação. Mas, pelo menos dentro do meu achismo, penso que consigo captar muitas coisas por aí. Pensamentos que estão soltos no ar e que não são necessariamente direcionados pra lugar nenhum. Esses pensamentos, sentimentos, a gente não recebe na forma de palavra. Sei lá. A antena que a gente liga, digamos assim, é outra.
As vezes eu penso em algumas pessoas de uma maneira tão aleatória, que tenho a impressão de que naquele momento elas estão pensando em mim. Essa coincidência já se confirmou algumas vezes. Mas minha mente, a sua mente são tão aleatórias que essa coincidência toda pode ser só uma coincidência mesmo. É claro que eu prefiro acreditar que não e isso me faz sentir que existe essa comunicação.






as coisas existem porque a gente imagina
ou a gente as imagina porque elas existem ?

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

cascas

Quando eu tinha uns oito anos escrevi uma carta pro presidente da república contando pra ele as maravilhas que eu tinha descoberto sobre as cascas dos alimentos. Aleatoriamente eu tinha encontrado uns livros na biblioteca, umas enciclopédias, em que se falava sobre as propriedades medicinais dos vegetais, frutas, inclusive de suas cascas. 
Naquela época, eu já tinha entendido que algumas pessoas não tinham o que comer, morriam de fome. Eu me sentia muito mal com essa coisa. Alguns anos antes de eu ter 9 anos (não me lembro ao certo), eu e uma amiga até montamos um "clubinho", formado por nós duas e pela minha irmã, que se chamava "O clubinho da Amizade". O propósito do nosso clubinho era que um grupo de amigos (nós) fizesse o bem para outros amigos (x). A nossa primeira e, pelo que me lembre, única iniciativa foi arrecadar alimentos nas redondezas e montar cestas básicas pra distribuir pra pessoas que não tinham o que comer. Daí a gente pediu pra minha mãe levar a gente na periferia da cidade, onde a gente distribuiu as cestas. 
Bom, o tempo passou e eu continuei preocupada com isso. De que não tinha comida para algumas pessoas. E a solução estava muito clara pra mim naquele livro. Por que as pessoas não se alimentavam de cascas ? Eu via que todo mundo cozinhava e não usava as cascas pra comer. Depois que li o livro vi o quanto as cascas eram nutritivas e pensei que se as pessoas não queriam aquelas cascas elas podiam doá-las para que as pessoas pobres tivessem o que comer. Ainda por cima os benefícios pra saúde delas seriam ótimos ! E eu comecei a pensar em quantas cascas eram desperdiçadas no Brasil, e decidi escrever ao presidente contando isso tudo pra ele, pra ver se ele me ajudava com a minha ideia, ou se a minha ideia ajudava ele, que deveria estar preocupadíssimo em resolver essa questão. 

cadelas.

Fico pensando sobre as cadelas. Elas parecem tão cansadas quando estão grávidas. Será que elas gostam de engravidar? Será que elas pensam que poderiam evitar estar grávidas ? Será que elas associam a gravidez com o cio ? Por que será que os cachorros não evitam a gravidez ? Será que isso quer nos dizer que o propósito da vida é a procriação ? Os cachorros parecem estar mais ligados a uma verdade natural (termo ruim, mas não pensei em outro) então me parece que seu comportamento tem mais a ver com uma essência da vida do que o nosso. Por que será que os seres humanos são os únicos por aqui que evitam a gravidez ? Parece ser natural não evitar gravidez. Parece ser natural procriar. O que é tudo isso ?

Por que os seres humanos criaram um monte de sentimentos sobre os atos que levam à gravidez ? Que associam um monte de sentimentos a tudo. Os cachorros certamente tem sentimentos. O que é que diferencia nossos sentimentos dos sentimentos caninos?  Por exemplo, o que sente uma cadelinha ou porca que foi rejeitada por um parceiro sexual?  O que é tudo isso ?

Eu me pergunto : por que é que sinto as coisas ? O que são sentimentos ? Parecem ser uma invenção nossa, que os animais inventaram de um jeito diferente, ou uma invenção da natureza da qual se apropriam de um jeito diferente. O que é tudo isso ?

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

crianças índigo e a salvação do mundo.

Sempre me pergunto o porquê dessa crença que nasceu em algumas comunidades de que as crianças que estão nascendo hoje em dia são seres iluminados, de coração puro, que conversam com animais. Crianças índigo. Essa coisa toda. As crianças sempre foram seres "iluminados" que conversam com animais (risos). Apesar de nunca terem sido azuis. Antigamente as crianças eram vistas como seres que deveriam apenas obedecer; escutar,etc.  Já os mais velhos eram vistos como sábios. Os mais velhos reuniam características muito importantes para as pessoas daqueles tempos de antigamente.

O que aconteceu com os tempos ? Parece que, na mesma proporção em que essas crianças são idolatradas por membros de culturas hippies revival, e por membros das comús da era do capitalismo verde, etc., os idosos, que antes eram arautos da sabedoria, renasceram desvalorizados, jogados no vento (mas pela sociedade, de modo geral). As crianças são impetuosas, desafiadoras, enquanto que os velhos são passivos.

Existe uma conexão entre a mudança dessas duas imagens ? Vou tentar explorar essa possível conexão através do fato de que a crença nas crianças índigo parece estar intimamente ligada à necessidade imediata de uma transformação no mundo. Essa mudança viria das mãos, e ideias das crianças índigo. Mas se o mundo precisa de uma mudança, então por que essa mudança, ou as ideias para essa mudança, não podem mais vir das mãos dos idosos?

Andei reparando sobre o tipo de notícia, informação que aparece na mídia veiculada a pessoas mais velhas. Não tenho dados, mas diria, que, na maioria das vezes que falam de idosos, falam também sobre doenças degenerativas; Alzheimer; demência; casas de repouso; problema do coração; artrite, "acabe com suas rugas"; artrose; solidão. Enfim, parecem ser só coisas que denigrem a velhice, os velhos. Coisas pra evitar parecer velho. O próprio termo velho é muito ruim. Idoso é mais conveniente. Poucas pessoas gostam de ser lembradas sobre sua coleção de anos.

Muitos enxergam os velhos como pessoas frustradas com a dureza do mundo. Eles perderam a capacidade de sonhar, etc. Como a revolução, a salvação do mundo, pode vir de alguém demente ? De alguém que deixou de sonhar ? Alguém com artrite e artrose, dor de coluna e que não consegue travar lutas mirabolantes na velocidade de um roteiro Hollywoodiano com extraterrestres e seres verdes gigantes da Marvel ? Alguém pode enxergar sabedoria, etc. em alguém cuja imagem é associada a tantas coisas negativas ? E mesmo quando há sabedoria, ela permanece perdida ali no canto da mente idosa, porque é também demente, não confiável. Os idosos aceitam como auto-imagem aquela que transmitimos para eles e reproduzem os comportamentos que lhes atribuímos. Não sei muito bem como essa roda se retroalimenta, mas vejo que é bem comum na sociedade as pessoas aceitarem como auto-imagem aquilo que vêem nos filmes, nas revistas.

Voltando à mudança do mundo. Se sentimos a necessidade de salvação para o mundo, onde está tudo perdido, sem esperança, existe algo mais natural do que enxergar a salvação como algo fora do mundo ? Algo novo, que está nascendo. Esse anseio é projetado nas crianças, na maneira como elas enxergam o mundo. O modo como enxergamos a realidade parece ser um espelho do modo como nossos pais a vêem. O modo como os pais vêem a realidade é aquele modo solidificado na alucinação coletiva de todos nós que nos vemos sem asas, e que acreditam que não podem voar. As crianças carregam os valores que transmitimos para elas. Elas são um espelho de nossas expectativas. A gente enxerga o mundo de uma maneira e o projeta para as crianças. Hoje em dia é relativamente valorizado entre comunidades alternativas ser impetuoso, desafiador, faltar aula, ser independente intelectualmente. As crianças absorvem esses valores e moldam sua auto-imagem conforme.

E quanto a imagem dos jovens e crianças ? Eles parecem construir sua auto-imagem muito amparados pela música, pelos sentimentos que a música exala. Imaginem vocês viver em um mundo em que o Alesso chega e te diz : "We go hide away in day light. [...] Can't be one of them [...] we are a different kind, we can do anything. we could be heroes". No videoclip da mesma música você vê o Alesso salvando o que seriam um monte de crianças com poderes especiais e presas, maltratadas. E o Alesso vai lá pra libertar essas crianças. Forte, não ? Você houve o Avicii desde criancinha dizendo assim : " Come on people, we have all seen the signs. And we will never get back to the old school, to the old rounds, it's all about the new found, we are the newborn, [...] we are the future and we are here to stay".  Isso é tremendamente forte. Você vê o clip do Avicii e as crianças aparecem lá vivendo sozinhas no meio de estranhos, na maior amizade com os cavalos. A maioria das pessoas da cidade em que você está são pessoas velhas, de aparência estranha, que te estranham, te tratam meio mal, são reaças pra caramba, e você com a aparência naturalmente mega descolada. Até que um belo dia vocês encontram um monte de outras crianças descoladas que tem marcas, tatuagens iguais às suas em seus corpos. Ali você se sente bem e vai embora da sua cidade pra atrair boas vibes, e mudar o mundo dançando tecno numa balada rave.  

Isso se soma ao fato de que nossa sociedade atribui um grande valor ao novo. Permita-me até a chatice de colocar que isso também está associado a valores da sociedade de consumo. Aquilo que é novo é maravilhoso. O velho tem bolinhas, tem defeitos, está estragado, desbotado. O tempo tem uma ação nociva sobre as coisas. A gente aprende a ver assim. Nos ensinam a valorizar o novo porque a gente tem que comprar mais. Tem que comprar outro. É assim que gira a parada. Assim, o novo e a renovação tem um apelo muito forte para nós. A juventude, a criança são o novo como esperança de renovação da sociedade.

Mas é razoável admitir então que as crianças de hoje são mais especiais que as crianças da década de 20 ? Da mesma forma, é razoável admitir que os idosos de hoje são decadentes, ao passo que 100 anos atrás eram sábios, respeitados ? Ou seria mais razoável pensar que projetamos a cada tempo nossos valores na imagem que fazemos das gerações ? E que assim estaríamos (o nós que acreditam que eles são crianças índigo) talvez "educando" os jovens para se tornarem essas crianças índigo, ao passo que a sociedade, como um todo, "educa" os mais velhos para aceitar sua decadência. Isso seria cruel. Mas não estou sendo cínica. Acredito que a sociedade está fazendo isso com os idosos.  

O que enxergamos hoje nos velhos, nas crianças devem ser valores profundamente arraigados na nossa visão de mundo. A gente reconhece nas gerações valores do nosso tempo. Não deve existir uma regra: crianças sábias, velhos sábios. Tenho a impressão que não faz sentido enxergar o mundo assim, ou que as crianças estão nascendo para salvar o mundo. Acho que todos somos especiais e que carregamos a semente, a chama da iluminação dentro de nós, não importa nossa idade. O lance com as crianças é que elas ainda não tem a nossa visão de mundo tão consolidada, então, talvez, seja mais fácil pra elas enxergar o mundo como uma coisa fluida, que depende da nossa vontade e imaginação. Para os adultos fica a tarefa de voltar a ver o mundo como crianças, como, aliás, acho que existe até uma passagem na bíblia. "o paraíso é das crianças". Não entendo como os hippies revival caíram nessa armadilha de crianças índigo, Bino ! Porque eles são propensos a enxergar em todos os outros a chama da iluminação. 

*Particularmente, até tenho muitas concepções místicas. Diria que todas as minhas concepções importantes sobre a vida são místicas. Mas o que eu quero dizer é que mesmo sendo bem misticism friendly não convence o meu coração essa coisa de crianças índigo. Eu acho que toda as pessoas podem mudar a natureza da realidade que vêem, sentem. A idade talvez esteja muito mais associada a uma regra moral e estética sobre como cada um de nós deve se comportar para caber no mundo. 




quinta-feira, 17 de setembro de 2015

o que é que tem ?

o que existe no outro de verdade?
como saber o que dentro da pessoa tem?
é o sexo,
a posição política
a visão de mundo
as ideias todas
?
é o que a pessoa diz
pra onde ela viaja
o que ela escreve
o que ela come
é a boca do estômago
ou talvez o coração
são seus amigos ?
é nada disso não
é o olhar !

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Guerra dos salgados.

Eu gostava das festas infantis quando elas tinham docinhos, música pra dançar e crianças de verdade se divertindo. Hoje em dia só tem adultos em seus trajes de fantasia, coxinha brigando com empadinha, empadinha brigando com croquete... É uma verdadeira guerra dos salgados ! E esses salgadinhos todos aí, todos muito parecidos em sua "salgadice", quando você come, viram uma bomba no seu estômago. Uma bomba que explode cheia de ódio e que dá até dor de barriga.

WhatsAppocalipse Zumbi

O WhatsAppocalipse zumbi tem volta ?

As pessoas à minha volta tem uma "extensão" em um de seus braços que só desacopla por completo na hora do banho. Algumas continuam usando ela pra dançar embaixo d'água. Elas acordam quando a extensão manda. Fazem as refeições com a extensão do lado, embora a extensão não precise se alimentar do mesmo tipo de comida que a gente. É a extensão quem diz para as pessoas aonde ir e que caminhos tomar pra chegar lá. As pessoas transferem suas memórias e a memória da raça humana para a extensão, e ela nos diz como, quando e por que nos lembrar. A extensão armazena até mesmo nossas memórias de amigos e parentes. E quando a gente se reúne com eles, nos restaurantes, nos almoços de família, estranhamente eles não estão presentes.

O que a extensão faz com gente como eu, que não tem uma extensão ? Nos ignora. E seus usuários demonstram esse comportamento pra nós. Eles riem quando a gente diz que não tem uma extensão. Eles não acreditam que a gente pode chegar em qualquer lugar, ou mesmo ser feliz sem as várias utilidades da extensão. Eu não vejo mais os olhos das pessoas, que estão quase sempre voltados para a tela. Nos raros momentos em que trocamos olhares, sinto que não olham pra mim. Isso é ser ignorado.
As pessoas ficam ali sorrindo pra uma tela, mas não pra mim. E quando rimos juntos, é por algo que a extensão nos mostra. Quase não rimos mais de nós mesmos. E quando estamos ali, num momento particular, um momento legal, não podemos deixar a extensão de fora. Compartilhamos esses momentos para que ela registre a nossa felicidade.

As pessoas não respondem nossas perguntas, elas fazem um ou outro comentário sem sentido pra fazer de conta que estão com a gente. Balbuciam um sim. Um não. Elas acham que a gente não percebe. Elas acham que nos enganam, e se acham muito espertas por conseguirem estar em dois mundos ao mesmo tempo. Mas elas não estão.

A gente acha que a extensão é só uma "coisa" social e que a gente manda nela. A gente acha que pode parar a qualquer momento. Eu tenho sentido que a extensão tem vida própria. Estamos sendo abduzidos por essas forças alienígenas. Por que, afinal, onde é que essa forma de vida está ? Acho que daqui vamos para a vida em realidade virtual. Há alguns anos, a gente tinha medo de que os robôs inteligentes dominassem a Terra e subjugassem a raça humana. Por fim, talvez, não precisamos de robôs pra sermos subjugados.

Eu sei sobre a extensão porque já estive lá. Naquele mundo em que as pessoas habitam. Naquele mundo em que somos subjugados. Não sei como consegui sair. Até quando vai durar, ou até quando vou durar fora dele, se é que estou, não sei.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

mãos

aconteceu há alguns dias.
vi minhas mãos desconectadas do meu corpo.
eram translúcidas, como me lembro, uma energia, um calor.
tive medo. tentei acordar. foi muito difícil e muito profundo. 
acordei e não sabia se estava ainda de olhos fechados. 
demorei até perceber que minhas mãos já eram outras.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

vidas simultâneas

Hoje a tarde, enquanto eu varria o quintal, encontrei perdida em algum canto da minha mente, imaginação, etc. um pergunta interessante : Considerando que o tempo seja uma entidade que flui continuamente em duas direções (do presente para o passado e o futuro)  e que nós somos seres que vivem várias vidas. Então é justo considerar que pode-se "reencarnar" também em tempos futuros. Por que é que só lembramos das nossas reencarnações passadas?
E se nos lembrássemos de nossas reencarnações futuras, isso acarretaria um problema, porque a lembrança daquilo que fizemos no futuro poderia influenciar nossas atitudes no presente, encerrando em uma prisão que limita presente, passado e futuro.
Seria também pertinente pensar sobre como a existência de multiversos colocaria questões para as lembranças de outras vidas, ou lembranças de vidas simultâneas. Ainda assim: porque só consideramos nossas vidas passadas?

Agora, considerando que seja possível ter essas lembranças do futuro, elas não alterariam, de certa forma, a maneira como vivemos a vida nos conduzindo a produzir os futuros dos quais nos "lembramos" ?

Parece que o avanço da física teórica vai realocando necessidades para religiões baseadas na ciência.