sábado, 13 de dezembro de 2014

paragens

Meus parachoques ! 
Para-que ? 
Pára o mundo! 
Para que? 
Felicidades !

terça-feira, 25 de novembro de 2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

quanto mais do mundo
menos da realidade

iluminação

a verdadeira iluminação é o contato com a realidade
nesse momento não há pensamentos
porque não há ideologias para esconder a realidade
a vida não faz sentido
precisamos inventar um pra ela
mas esse mesmo sentido mascara a realidade
a realidade é sem sentido mesmo
por isso, na iluminação não pensamos em nada
por isso a iluminação é o único jeito de realmente viver o momento
porque o momento puro, é a ausência de máscaras
raramente vivemos o momento puro
se fazemos algo, fazemos porque achamos que é legal
porque temos uma ideia prévia sobre aquele momento
de forma que quando o vivemos, não o fazemos de fato
não vivemos o momento
experienciamos nossa ideia
não experimentamos o momento

sábado, 15 de novembro de 2014

1001 utilidades

o mundo é tão maluco
e nele não há sentido
por que procurá-lo e mais fortemente por que encontrá-lo?
temos que inventá-lo
o utilitarismo me parece o maior nonsense
por que as coisas tem que ser úteis em um mundo em que a utilidade não faz sentido?
utilidade pra que?
utilidade por que?


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

amizade

eu tenho amigos de muitos anos
e que tem comigo desde o tempo em que eu era outra
hoje eles são outros também
mas ainda somos os mesmos
quando nos amamos
e por quanto nos amamos
decidimos que a amizade é compartilhar nossas mudanças
e através delas nossas existências
experimentar e aprender uns nos outros
a amizade que aí existe, em essência, é o que não muda
é a descoberta de que,  por pequenas frações de segundo,
pode-se viver através do outro e deixar o outro viver através de você
é ser a mudança a escola
e esse é o amor que existe em nossos Universos
nossas xícaras de café que se perderam no tempo
mas que são memória e imaginação.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

a castração da imaginação é a principal responsável pela manutenção da situação mental e aparente  situação material em que nos encontramos na medida em que a percepção do mundo material é uma ilusão da mente. habitamos os mundos que imaginamos.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

revolução

Abro a geladeira. Pra minha grande surpresa, está lá a garrafinha de leite de côco. Confusa, entendo que o triste episódio em que despejei seu conteúdo no lixo aconteceu em sonho. Nos meus sonhos mais nítidos, os sentimentos manifestos, expressivos, vívidos, estão associados a situações inusitadas. Tsunamis gigantescos, cataclismos ou passeios voadores pelo Sistema Solar. Muito raro quando situações cotidianas acontecem de maneira tão límpida e transparente no sonho. Também poucas vezes existiu a percepção da confusão entre o sonho - aquele sonhado com uma cena cotidiana - e a realidade. As situações de confusão, confluência, permanecem adormecidas na bruma da fronteira entre sonho e 'vida real'. Na televisão, a repórter fala sobre a seca em Itu. Pra mim, o recado do sonho é claro: a revolução deve estar acontecendo em algum canto da minha mente. E então, porque não dizer que ela está começando a se espalhar por aí, pelo fluido do inconsciente coletivo ? Tanto faz. Porque essa é só mais uma que vai pra infinita coleção interminável e mutável da verdade.



quero ser humana
sem a dependência
não quero droga nenhuma
pra ter acesa a chama da minha onisciência
só descobrimos aquilo que imaginamos

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

comodismo

quero ir
não me deixem ficar
porque ficar tempo demais em qualquer lugar
é dar motivo para o apego às coisas pequenas
a cômoda situação é também muitas vezes sinônimo de estagnação da vida espiritual
quero ver gentes diferentes
porque a convivência
é muitas vezes motivo do apego às pessoas pequenas
aos motivos pequenos, as picuinhas
a cômoda amizade é também muitas vezes sinônimo de estagnação da vida emocional

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

presença

existem vários mundos
e acontecem coisas em todos eles
são as coisas os sonhos
são os sonhos outros mundos
ou outras coisas do mundo

o que diferencia a experiência que se tem de vida em cada um dos sonhos ?
é a presença
pra onde nossa atitude mental nos empurra
presença é o que dá substância ou a sensação de substância para a experimentação dos sonhos
e os mundos todos são sonhos eles
a realidade é o sonho que tem presença

podemos ter vários sonhos presentes
e desenvolver a capacidade de habitar múltiplos sonhos
tornando-os em múltiplas realidades.


distração

uma coisa autêntica, em certo sentido,
é a outrificação
outras pessoas
outros lugares
eles nos conectam com o que há de realidade

porque os outros nos conectam com o todo
e o todo, por fim,
somos também nós mesmos

não temos como escapar disso
precisamos do todo pra termos acesso à nós
está tudo ali e aqui dentro
o resto é uma grande distração



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

criação

eu crio mundos e mundos
e os habito todos instantâneamente
não é uma questão de gostar
é uma questão de aceitar que as coisas só acontecem nesses universos
é uma questão de repensar os acontecimentos
de ter paciência e gentileza com os próprios sentimentos e as próprias limitações
umas se manifestam em um mundo outras nos outros

os universos paralelos
são só mais um monte de possibilidades
eles são sempre criados
mesmo quando você acha que ele lhe é oferecido
este é criado pelo todo
e o que é o todo senão o conjunto de todos nós ?

crio a realidade e crio outras coisas também
onde tudo acontece e todos somos
a vida é uma questão de intuir todas as realidades
de alguma maneira
entender o que cada uma delas quer dizer

se você tentar entender as realidades à luz da racionalidade
a criatividade lhe escapa
a criatividade é singela,
ela sim é orgânica
primitiva forma de sentimento e da expressão humana
e é o místico canal da intuição

criar é intuir
e intuir é criação.

autoria

tô de passagem pelo mundo
a vida tá de passagem por mim
essas ideias não são minhas
não fui eu quem as concebeu assim
as ideias são livres
e é tudo por tudo pensado
cada verbo que passa por mim
é um ato do Universo do qual tenho me apropriado
e nada é meu porque eu é que sou de tudo
das coisas, os gestos; dos ventos, os beijos
dessas abobrinhas todas, o verde
que inundam falsa mente
o mar de caos que é o absurdo da compreensão
hoje sou eu
amanhã imensidão.

domingo, 19 de outubro de 2014

corrida

aprender a viver
deixa eu correr até o fim da faixa onde tem areia
deixa a água do mar bater até o calcanhar
o vento bater no cabelo
o cabelo encobrir o rosto
deixa as coisas de lado
desapega dos sentimentos
conhece as pessoas
lembra delas com os olhos e deixa as lembranças para as lágrimas
diz adeus
sonha acordado
sofre até colocar o coração pela boca
sente que é só até perceber que nunca está sozinho
se esqueça do outro até se lembrar de si mesmo
um dia de ventania
capta as ideias boas do mundo
dissipa as ideias boas pelo mundo
sorri para as pessoas
mas não sorri toda hora
o riso se perde na rotina
que faz perguntas curtas
e dá respostas caóticas
fala pouco
sente muito
sinto muito que é demais
sente um pouco do que é demais
tá no céu onde tudo é
existe como o bom e como o mau
nada existe para ser apenas contraponto
é tudo vivo
é tudo uma só
integração
e em tudo o que é mau reside um bem
todo bem guarda um mau adormecido
esquece a ciência porque ela é sempre igual a si mesma
não sai do lugar porque prendeu a imaginação humana em uma caixa
sem imaginação não há mundo
tudo o que há são as mudanças dos mundos imaginados
essa noite eu vivi um sonho
em uma praia linda de areias brancas
podia visualizar o mapa da praia na cabeça
a todo momento
podia ver a mim mesma flutuando no mapa
quis nadar entre uma ilha e outra
mas havia tubarões
tornei-me uma pessoa que tem medo de tubarões
anseio pelo nosso encontro, no entanto
agora que descobri quem quero amar
e a quem amo
como posso não viver ?
como posso deixar que seja assim ?
revolta-te
aceita-te
aceita
as coisas tem que ir embora
tudo se dissipa no fim da praia
dissipa-te
porque não há final dos tempos
finaliza
e seja sempre o começo
porque a vida e o tempo são mudança que não tem fim







domingo, 12 de outubro de 2014

Noite da tapioca

Gosto da noite. E nem tô falando dos sonhos que tenho com coisas que não vivo durante o dia tanto por não serem possíveis, como por serem impossíveis. Eu gosto das noites porque no fim de todas elas existe uma tapioca com manteiga e um café me esperando. Não exatamente esperando, mas em potência.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

pimenta

Ar, dia. O dia.
Dia. O ar. Dia.
Tinha Sol e era como pimenta.
Ardia o dia.

Retalhos

me arranje um dedo de prosa pra eu estancar minha veia poética
já eu quero uma mão pra acalentar o que no peito bate frenético meu coração
por Victor e Victória

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

portas

ninguém pra ouvir a porta abrir
dobro os lençóis
hoje pela manhã
ainda te amo

e amar o que é
há mais de 500 dias
uma invenção

ainda te amo
hoje a noite
amasso os lençóis
ninguém pra ouvir a porta fechar



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Balão

o que quero da vida é viver
e viver é transitar
ver o povo

sentir o cheiro do mundo
saborear o gosto das coisas
ouvir as ideias das crianças

quero a vida de mudar
todo dia
reconsiderar as posturas
reinventar as ideias
descobrir o que dói

experimentar o peso da curiosidade
olhar nos olhos das pessoas e perguntar:
"quem foi que inventou esse peão?"
eu quero sem motivos para abraçar a gente

se tudo é um processo
não há vida na establidade
e que não me deixem parar, meus amigos

o que quero da vida é a agonia, a azia
doer as angústias
gargalhar por dentro

quero me libertar das escolas
e de tudo que me prenda ao chão

o que quero da vida é um balão
pra voar...



quinta-feira, 5 de junho de 2014

observações

foi a primeira vez hoje
e foi estranho
ver aquela coisa que eu mesma coloquei
entrando dentro de mim
e depois saindo outra
daquele tamanho

quando dei por mim
andando normalmente
viva, pulando, dançando
no meio de tanta gente decente
comecei a dar risada sozinha
no meio da escada

prédio

Há algo nos prédios de que eu gosto muito. A maneira como eles lembram o sistema de funcionamento do corpo humano. Como lembram organismos, com seus vários tubos e canos e conexões. Um verdadeiro sistema circulatório! 
O que há também na mentalidade da cobertura do prédio ser do manda-chuva, já que o cérebro é quem comanda toda a bagunça que todo o resto é.

terça-feira, 3 de junho de 2014

cosmo

saudades dos pincéis
criadores dos mundos que habitei
minhas palavras foram coloridas
em forma de verso pintado

saudades dos papéis de todas as gramaturas
das sedas transparentes e verdes de várias espessuras
hospedeiros dos mundos por onde passei
e que tão logo pelo tempo serão apagados

saudades das tintas respiradas
em forma de nuvem e oxigênio
como em um místico universo borrado

saudade da tormenta
e do cinza grafite
lápis
apontador
meu cosmo com sabor
de ser sempre sabotado



mercantilismo

lágrimas, quem as compra?
há quem lágrimas procure
há quem lágrimas ofereça
lágrimas, quem as vende?

dê-me logo o endereço dessa peça
diga-me, onde mora?
se é que vende lágrimas
queria saber de onde elas vem
se sou eu
quem lágrimas chora

domingo, 1 de junho de 2014

Adeus, Vina

Olá,  Vossas Salsichências !

Cumprimos nossa sentença ! Encontramo-nos com o único mal irremediável, aquilo que é marca de nosso estranho destino sobre a salsicholândia, aquele fato sem explicação, que iguala tudo que é vina num só rebanho de condenados, porque tudo que é vina, vira cachorro-quente!

Nossa epopéia salsichonética chega ao fim !
Obrigada por terem assalssichoado nosso e-vento ! Vocês, que neste ano, permaneceram em vários cantos do país para construir a OBL Vina !
A OBL é uma construção coletiva, que tem a participação de vocês como um meio e um fim.
Ela é gestada com a intenção de que a linguística comova vocês; pensando que a interação entre pessoas de diferentes sotaques, diferentes culturas, diferentes lugares, possam se chocar, e que termine em encontros frutíferos e salchitíferos. A OBL é um caldeirão !

Obrigada a todos que vinaram com a gente este ano: Weisswursts, Currywirsts, Blutwursts, Bratwurts de Thüringer e de Nürnberger, Wienerwursts e ConchitaWursts.

Obrigada a todos os professores que participaram junto com seus alunos. Aqueles que incentivaram, trocaram ideias, que deram seu tempo para monitoras as provas, corrigir as provas.

Esperamos encontrá-los em outras barracas de cachorro-quente pela vida, no ano que vem, com um outro tema culinário e muitas outras receitas !




quinta-feira, 15 de maio de 2014

ressaca

Ressaca

a relação da ressaca com os entorpecentes é tal
que antes alguma coisa que parecia e era, ou era, ou apenas parecia boa
estremece no final

 a ressaca do corpo
que abusa do álcool
é o engodo da cabeça para o mau-humor

a ressaca do mar é assim também
e depois de tantos dias chovendo
o mar termina bravo

a ressaca do coração
é daquele que ama demais
e que logo se irrita, fazendo-se desilusão

a ressaca
é um efeito malévolo de que se sofre
quando se ama, se bebe e se chove

a felicidade é ainda possível nesse estado
porque de ressaca a gente se dói
mas de ressaca a gente não morre

e que coisa é essa que me incomoda
um calafrio no peito de imaginar toda tarde de céu
em que o mar transborda.

engula!

mascara o cheiro de suor
enxaguante bucal deixa o seu hálito puro
pedra sanitária pra abafar a sua ida ao banheiro
a gente tem chulé
pra isso use desodorante pro pé
tira a cutícula
cabelo na perna é nojento
chega de pelos na virilha
a gente aumenta o tamanho dos cílios com rímel
finge que a nossa pele é uniforme
a gente evita manchas
passa batom pro lábio ficar vermelho
blush pra maçã do rosto ficar maçã
usa anti-rugas porque é feio envelhecer também
põe silicone onde disseram que falta alguma coisa
alisa o cabelo








segunda-feira, 12 de maio de 2014

bêbados do pelÔ

sábado nas imediações do PelÔ
encontrei um bêbado que me pedia o dinheiro pra cachaça
eu com ares de doutÔ
e ele cheio de graça
repúdio ao seu cheiro de humanidade
foi que lhe respondemos

olhei nos olhos do bêbado
que me beijou a mão
mas saiu vagando sozinho pela cidade fria
sem cachaça no estômago e sem dinheiro

eu lhe neguei moeda pra beber
com o argumento de que não tinha
e de que ele torraria o tostão na cachaça
eu com meu suado dinheiro
cujo fim não era pra ser a bebedeira de um bêbado do pelÔ

horas depois limpei aquelas calçadas e escadas
na via pública fiz minha estada
o meu melhor companheiro, o cravinho
que se negava a ficar no meu estômago

onde haviam aquelas poucas pessoas interessantes
as que foram vender sua arte
querendo se esquecer de estar ali

vi o menino black, que cantou com Chico César
entornei seis vezes com o dinheiro que neguei pra quem queria se embebedar
e o meu gesto de humanidade,
qual foi?

sábado encontrei a bebedeira
e hoje encontrei o mar
e tem hora que dá vontade de desistir
mas haja calor pra aguentar viver em Salvador.








Sobre a Copa, linchamentos, PT e outros bodes expiatórios no país da expiação.

Não há como discordar de fatos - não vou entrar na discussão sobre a existência das coisas. Mas fatos estão quase sempre envoltos por algum tipo de discurso, e desse sim podemos e devemos desconfiar. Por exemplo, os problemas apontados por essas matérias estrangeiras de dez páginas - algumas escritas por repórteres oportunistas -, sobre a situação do Brasil na Copa do Mundo, eles são reais, infelizmente, estão acontecendo.

Mas, particularmente, desconfio muito da propaganda anti-Copa que atribui à FIFA, ou ao evento Copa do Mundo, os problemas do país. Da propaganda que reconstrói e se apropria dos fatos endereçando a Copa como grande vilã do Brasil. Não há como discordar que a Copa do Mundo evidenciou e intensificou o cenário de exploração e de repressão (destaco as palavras evidenciou e intensificou e fica sobre seus sentidos a reflexão) Mas essa realidade é conhecida de todos nós. 

Os episódios de Pinheirinho - e tantos outros que sequer tem uma história escrita- estão aí pra nos lembrar que ser expulso de sua casa, no Brasil, é uma questão de conveniência. Seja pra FIFA, seja pra Vale do Rio Doce, Camargo Correa, seja pra prefeitura de São Paulo que "faz a limpa" dos mendigos e usuários de crack no centro da cidade. As pessoas são sim expulsas de suas casas no Brasil. O que dizer dos indígenas que são manipulados por esse jogo de interesses há séculos? A Copa evidencia o cenário brutal de repressão social que existe nesse país, mas esse cenário só se materializa, só é possível porque aceitamos isso desde sempre. O Brasil é um tererno fértil para a perpetuação da exploração e das desigualdes. A causa disso é que tem de ser identificada e combatida.

De alguma forma, parece que para nós, brasileiros, é reconfortante e é mais fácil poder jogar a culpa na Copa. É reconfortante ter um bode expiatório.  Mas também é uma útil estratégia de manipulação, uma vez que, na câmara, os políticos se aproveitam desse nosso rompante anti-copa para aprovar, ou não, leis importantes sem a menor pressão ou fiscalização social - vide a recente discussão do PNE na câmara dos deputados.

A Copa do Mundo está deflagrando, internacionalmente, inclusive, situações com as quais somos obrigados a conviver. Mas essas situações não tem sua raiz na Copa do Mundo e vão continuar acontecendo depois dela porque vamos continuar correndo atrás de bodes expiatórios. Como estamos fazendo com o caso da Fabiane de Jesus, espancada e apedrejada recentemente por justiceiros. De quem é a culpa desse apedrejamento? A culpa é da jornalista Raquel Sheherazade, que defendeu, em outro contexto, também recentemente, que a população faça justiça com as próprias mãos. Nada mais fácil que culpar uma, e uma só pessoa, por uma situação em que mais de 20 seres humanos espancam até a morte - até a morte - outro ser humano, sem que nenhum deles tenha se dado conta do que estava fazendo (?). (Ou pior, tenha feito de maneira consciente) Quem se recorda do juiz de futebol que foi morto e esquartejado no Maranhão, ano passado, por colegas de time, depois de uma briga de jogo?

Culpar a Raquel Sheherazade nos liberta da discussão e da reforma profunda que precisamos fazer sobre o valor do ser humano na sociedade brasileira, ou mesmo, sobre o poder de decisão do cidadão, vítima de um sistema de comunicação que manipula totalmente sua mente, se for. Estamos admitindo o fracasso do projeto do ser humano.

O que me faz lembrar ainda do fim dos protestos de junho|julho, em que o saldo, para muitas pessoas, foi de que a "Dilma Roussef" e o PT são os responsáveis por todos os problemas do Brasil, são os únicos corruptos, e ainda para muitos, e muitas vezes os mesmos, defendendo a volta da ditadura, a "marcha da família com a galera".

Você leu 1984 quando era criança e, naquela época, teve a impressão de que, felizmente, a coisa ainda está um pouco longe daquele cenário de alienação absurdo descrito no livro, quando, na verdade, essa reconstrução dos fatos sobre a Copa, por exemplo, ou o modo como atribuímos culpas a bodes expiatórios são um processo de alienação semelhante, que mascara a realidade e sustenta o estabelecimento do mesmo regime opressor, que identificamos agora na FIFA, na Raquel Sheherazade, na presidente Dilma e no PT.

Dizer que a culpa não é da Copa ou da FIFA; não é culpa da Raquel Sheherazade; não é culpa da Dilma ou do PT,  não é o mesmo que eximi-los de suas responsabilidades. Admiti-los como únicos culpados, esquecer de procurar outras causas, é o mesmo que admitir que só não compensa colocar fogo no Brasil porque vai contribuir muito com o aumento da taxa de CO2 na atmosfera, mas é o total fracasso do povo brasileiro, do cidadão brasileiro, da existência de brasileiros pensantes e com potencial de ação. É só que, pessoalmente, acredito que buscando bodes expiatórios vamos continuar assistindo a outros "Pinheirinhos", outros apedrejamentos, outros episódios de corrupção, que serão, em essência, os mesmos de sempre.



quarta-feira, 7 de maio de 2014

de novo

o que procuro em viagens
encontro em pessoas
são olhos todos
as pessoas são viagens neles
e com olhos tortos somos
todos apenas olhares


http://www.hypeness.com.br/2014/05/conheca-o-fotografo-que-capta-olhares-como-ninguem/

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Beijinho no “campo de força”




desejo a todos Darth Sith vida longa 
há muito tempo numa galáxia muito distante
bateu de frente é só os sabre de luz na chonga
aqui jedi fake não se cria com o mestre Yoda
acredito nos Ewoks os bichinhos tão peludo
Chew tá berrando peraí que eu não escuto
da Estrela da Morte quase não dá pra te ver
é o Palpatine tá querendo aparecer
Luke eu sou seu pai, e já tô pronto pro combate
keep calm e deixa de recalque
o meu sensor de midichlorians explodiu
pega a sua força e vai pra... Tatooine
beijinho no campo de força pro Darth Vader passar longe
beijinho no campo de força só pros Jabba, the Hut de plantão
beijinho no campo de força  só quem fecha com o Kenobi
beijinho no campo de força  só quem tem a força então
Padmesca Amidalazuda
Uma homenagem minha ao Dia de Star Wars
(especialmente pra os fãs recalcados, Charles L'Astorina )

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O tempo dos vândalos


essas coisas que estavam no mundo
quando a gente chegou
nenhuma delas existe
ou tem importância

essas ideias que estavam no mundo
quando a gente chegou
nenhuma delas existe
nenhuma delas é sua
quem inventou o mundo
inventou também as suas ideias

e quem tratou de enfiar tanta coisa na nossa cabeça?
um cem bilhão de gentes
que passou por aqui antes
que mesmo vivendo em um mundo de coisas sem existência
e absorvendo as ideias inventadas das outras pessoas
tratou de passar todo esse vácuo adiante

e é gente que não entende a gente
isso é o que mais tem

sinto que já é hora de desconstruir tudo
quebrar os muros da escola
é o tempo dos vândalos
pegar todas as carteiras e queimá-las no pátio

parece que só isso pode dar alívio
a essa tensão
que é viver em um mundo de relações superficiais
um mundo que construíram pra que a gente viva a vida sem viver