a gente que tem o coração partido
deve se alegrar
o coração partido vem em vários pedacinhos
pra deixar de lembrança a quem se ama e com quem não se pode ficar
e quanto mais quebrado ele for
maior a generosidade
você pode amar Machu Picchu e o Piauí
e deixar seu coração em todo canto de qualquer cidade
um coração partido nunca está só
feliz eu sou porque um dia descobri isso
e não entrego mais meu coração por inteiro
a um único compromisso.
poesia infantil poesia molhada trocadilho de roupa poesia engraçada não sense senil
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
autoria
tô de passagem pelo mundo
a vida tá de passagem por mim
essas ideias não são minhas
não fui eu quem as concebeu assim
as ideias são livres
e é tudo por tudo pensado
cada verbo que passa por mim
é um ato do Universo do qual tenho me apropriado
e nada é meu porque eu é que sou de tudo
das coisas, os gestos; dos ventos, os beijos
dessas abobrinhas todas, o verde
que inundam falsa mente
o mar de caos que é o absurdo da compreensão
hoje sou eu
amanhã imensidão.
a vida tá de passagem por mim
essas ideias não são minhas
não fui eu quem as concebeu assim
as ideias são livres
e é tudo por tudo pensado
cada verbo que passa por mim
é um ato do Universo do qual tenho me apropriado
e nada é meu porque eu é que sou de tudo
das coisas, os gestos; dos ventos, os beijos
dessas abobrinhas todas, o verde
que inundam falsa mente
o mar de caos que é o absurdo da compreensão
hoje sou eu
amanhã imensidão.
domingo, 19 de outubro de 2014
corrida
aprender a viver
deixa eu correr até o fim da faixa onde tem areia
deixa a água do mar bater até o calcanhar
o vento bater no cabelo
o cabelo encobrir o rosto
deixa as coisas de lado
desapega dos sentimentos
conhece as pessoas
lembra delas com os olhos e deixa as lembranças para as lágrimas
diz adeus
sonha acordado
sofre até colocar o coração pela boca
sente que é só até perceber que nunca está sozinho
se esqueça do outro até se lembrar de si mesmo
um dia de ventania
capta as ideias boas do mundo
dissipa as ideias boas pelo mundo
sorri para as pessoas
mas não sorri toda hora
o riso se perde na rotina
que faz perguntas curtas
e dá respostas caóticas
fala pouco
sente muito
sinto muito que é demais
sente um pouco do que é demais
tá no céu onde tudo é
existe como o bom e como o mau
nada existe para ser apenas contraponto
é tudo vivo
é tudo uma só
integração
e em tudo o que é mau reside um bem
todo bem guarda um mau adormecido
esquece a ciência porque ela é sempre igual a si mesma
não sai do lugar porque prendeu a imaginação humana em uma caixa
sem imaginação não há mundo
tudo o que há são as mudanças dos mundos imaginados
essa noite eu vivi um sonho
em uma praia linda de areias brancas
podia visualizar o mapa da praia na cabeça
a todo momento
podia ver a mim mesma flutuando no mapa
quis nadar entre uma ilha e outra
mas havia tubarões
tornei-me uma pessoa que tem medo de tubarões
anseio pelo nosso encontro, no entanto
agora que descobri quem quero amar
e a quem amo
como posso não viver ?
como posso deixar que seja assim ?
revolta-te
aceita-te
aceita
as coisas tem que ir embora
tudo se dissipa no fim da praia
dissipa-te
porque não há final dos tempos
finaliza
e seja sempre o começo
porque a vida e o tempo são mudança que não tem fim
deixa eu correr até o fim da faixa onde tem areia
deixa a água do mar bater até o calcanhar
o vento bater no cabelo
o cabelo encobrir o rosto
deixa as coisas de lado
desapega dos sentimentos
conhece as pessoas
lembra delas com os olhos e deixa as lembranças para as lágrimas
diz adeus
sonha acordado
sofre até colocar o coração pela boca
sente que é só até perceber que nunca está sozinho
se esqueça do outro até se lembrar de si mesmo
um dia de ventania
capta as ideias boas do mundo
dissipa as ideias boas pelo mundo
sorri para as pessoas
mas não sorri toda hora
o riso se perde na rotina
que faz perguntas curtas
e dá respostas caóticas
fala pouco
sente muito
sinto muito que é demais
sente um pouco do que é demais
tá no céu onde tudo é
existe como o bom e como o mau
nada existe para ser apenas contraponto
é tudo vivo
é tudo uma só
integração
e em tudo o que é mau reside um bem
todo bem guarda um mau adormecido
esquece a ciência porque ela é sempre igual a si mesma
não sai do lugar porque prendeu a imaginação humana em uma caixa
sem imaginação não há mundo
tudo o que há são as mudanças dos mundos imaginados
essa noite eu vivi um sonho
em uma praia linda de areias brancas
podia visualizar o mapa da praia na cabeça
a todo momento
podia ver a mim mesma flutuando no mapa
quis nadar entre uma ilha e outra
mas havia tubarões
tornei-me uma pessoa que tem medo de tubarões
anseio pelo nosso encontro, no entanto
agora que descobri quem quero amar
e a quem amo
como posso não viver ?
como posso deixar que seja assim ?
revolta-te
aceita-te
aceita
as coisas tem que ir embora
tudo se dissipa no fim da praia
dissipa-te
porque não há final dos tempos
finaliza
e seja sempre o começo
porque a vida e o tempo são mudança que não tem fim
terça-feira, 23 de setembro de 2014
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
quinta-feira, 5 de junho de 2014
prédio
Há algo nos prédios de que eu gosto muito. A maneira como eles lembram o sistema de funcionamento do corpo humano. Como lembram organismos, com seus vários tubos e canos e conexões. Um verdadeiro sistema circulatório!
O que há também na mentalidade da cobertura do prédio ser do manda-chuva, já que o cérebro é quem comanda toda a bagunça que todo o resto é.
terça-feira, 3 de junho de 2014
cosmo
saudades dos pincéis
criadores dos mundos que habitei
minhas palavras foram coloridas
em forma de verso pintado
saudades dos papéis de todas as gramaturas
das sedas transparentes e verdes de várias espessuras
hospedeiros dos mundos por onde passei
e que tão logo pelo tempo serão apagados
saudades das tintas respiradas
em forma de nuvem e oxigênio
como em um místico universo borrado
saudade da tormenta
e do cinza grafite
lápis
apontador
meu cosmo com sabor
de ser sempre sabotado
criadores dos mundos que habitei
minhas palavras foram coloridas
em forma de verso pintado
saudades dos papéis de todas as gramaturas
das sedas transparentes e verdes de várias espessuras
hospedeiros dos mundos por onde passei
e que tão logo pelo tempo serão apagados
saudades das tintas respiradas
em forma de nuvem e oxigênio
como em um místico universo borrado
saudade da tormenta
e do cinza grafite
lápis
apontador
meu cosmo com sabor
de ser sempre sabotado
mercantilismo
lágrimas, quem as compra?
há quem lágrimas procure
há quem lágrimas ofereça
lágrimas, quem as vende?
dê-me logo o endereço dessa peça
diga-me, onde mora?
se é que vende lágrimas
queria saber de onde elas vem
se sou eu
quem lágrimas chora
há quem lágrimas procure
há quem lágrimas ofereça
lágrimas, quem as vende?
dê-me logo o endereço dessa peça
diga-me, onde mora?
se é que vende lágrimas
queria saber de onde elas vem
se sou eu
quem lágrimas chora
quinta-feira, 15 de maio de 2014
engula!
mascara o cheiro de suor
enxaguante bucal deixa o seu hálito puro
pedra sanitária pra abafar a sua ida ao banheiro
a gente tem chulé
pra isso use desodorante pro pé
tira a cutícula
cabelo na perna é nojento
chega de pelos na virilha
a gente aumenta o tamanho dos cílios com rímel
finge que a nossa pele é uniforme
a gente evita manchas
passa batom pro lábio ficar vermelho
blush pra maçã do rosto ficar maçã
usa anti-rugas porque é feio envelhecer também
põe silicone onde disseram que falta alguma coisa
alisa o cabelo
enxaguante bucal deixa o seu hálito puro
pedra sanitária pra abafar a sua ida ao banheiro
a gente tem chulé
pra isso use desodorante pro pé
tira a cutícula
cabelo na perna é nojento
chega de pelos na virilha
a gente aumenta o tamanho dos cílios com rímel
finge que a nossa pele é uniforme
a gente evita manchas
passa batom pro lábio ficar vermelho
blush pra maçã do rosto ficar maçã
usa anti-rugas porque é feio envelhecer também
põe silicone onde disseram que falta alguma coisa
alisa o cabelo
segunda-feira, 12 de maio de 2014
bêbados do pelÔ
sábado nas imediações do PelÔ
encontrei um bêbado que me pedia o dinheiro pra cachaça
eu com ares de doutÔ
e ele cheio de graça
repúdio ao seu cheiro de humanidade
foi que lhe respondemos
olhei nos olhos do bêbado
que me beijou a mão
mas saiu vagando sozinho pela cidade fria
sem cachaça no estômago e sem dinheiro
eu lhe neguei moeda pra beber
com o argumento de que não tinha
e de que ele torraria o tostão na cachaça
eu com meu suado dinheiro
cujo fim não era pra ser a bebedeira de um bêbado do pelÔ
horas depois limpei aquelas calçadas e escadas
na via pública fiz minha estada
o meu melhor companheiro, o cravinho
que se negava a ficar no meu estômago
onde haviam aquelas poucas pessoas interessantes
as que foram vender sua arte
querendo se esquecer de estar ali
vi o menino black, que cantou com Chico César
entornei seis vezes com o dinheiro que neguei pra quem queria se embebedar
e o meu gesto de humanidade,
qual foi?
sábado encontrei a bebedeira
e hoje encontrei o mar
e tem hora que dá vontade de desistir
mas haja calor pra aguentar viver em Salvador.
encontrei um bêbado que me pedia o dinheiro pra cachaça
eu com ares de doutÔ
e ele cheio de graça
repúdio ao seu cheiro de humanidade
foi que lhe respondemos
olhei nos olhos do bêbado
que me beijou a mão
mas saiu vagando sozinho pela cidade fria
sem cachaça no estômago e sem dinheiro
eu lhe neguei moeda pra beber
com o argumento de que não tinha
e de que ele torraria o tostão na cachaça
eu com meu suado dinheiro
cujo fim não era pra ser a bebedeira de um bêbado do pelÔ
horas depois limpei aquelas calçadas e escadas
na via pública fiz minha estada
o meu melhor companheiro, o cravinho
que se negava a ficar no meu estômago
onde haviam aquelas poucas pessoas interessantes
as que foram vender sua arte
querendo se esquecer de estar ali
vi o menino black, que cantou com Chico César
entornei seis vezes com o dinheiro que neguei pra quem queria se embebedar
e o meu gesto de humanidade,
qual foi?
sábado encontrei a bebedeira
e hoje encontrei o mar
e tem hora que dá vontade de desistir
mas haja calor pra aguentar viver em Salvador.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
de novo
o que procuro em viagens
encontro em pessoas
são olhos todos
as pessoas são viagens neles
e com olhos tortos somos
todos apenas olhares
http://www.hypeness.com.br/2014/05/conheca-o-fotografo-que-capta-olhares-como-ninguem/
encontro em pessoas
são olhos todos
as pessoas são viagens neles
e com olhos tortos somos
todos apenas olhares
http://www.hypeness.com.br/2014/05/conheca-o-fotografo-que-capta-olhares-como-ninguem/
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Beijinho no “campo de força”
desejo a todos Darth Sith vida longa
há muito tempo numa galáxia muito distante
bateu de frente é só os sabre de luz na chonga
aqui jedi fake não se cria com o mestre Yoda
bateu de frente é só os sabre de luz na chonga
aqui jedi fake não se cria com o mestre Yoda
acredito nos Ewoks os bichinhos tão peludo
Chew tá berrando peraí que eu não escuto
da Estrela da Morte quase não dá pra te ver
é o Palpatine tá querendo aparecer
Chew tá berrando peraí que eu não escuto
da Estrela da Morte quase não dá pra te ver
é o Palpatine tá querendo aparecer
Luke eu sou seu pai, e já tô pronto pro combate
keep calm e deixa de recalque
o meu sensor de midichlorians explodiu
pega a sua força e vai pra... Tatooine
keep calm e deixa de recalque
o meu sensor de midichlorians explodiu
pega a sua força e vai pra... Tatooine
beijinho no campo de força pro Darth Vader passar longe
beijinho no campo de força só pros Jabba, the Hut de plantão
beijinho no campo de força só quem fecha com o Kenobi
beijinho no campo de força só quem tem a força então
beijinho no campo de força só pros Jabba, the Hut de plantão
beijinho no campo de força só quem fecha com o Kenobi
beijinho no campo de força só quem tem a força então
Padmesca Amidalazuda
Uma homenagem minha ao Dia de Star Wars
(especialmente pra os fãs recalcados, Charles L'Astorina )
(especialmente pra os fãs recalcados, Charles L'Astorina )
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O tempo dos vândalos
essas coisas que estavam no mundo
quando a gente chegou
nenhuma delas existe
ou tem importância
essas ideias que estavam no mundo
quando a gente chegou
nenhuma delas existe
nenhuma delas é sua
quem inventou o mundo
inventou também as suas ideias
e quem tratou de enfiar tanta coisa na nossa cabeça?
um cem bilhão de gentes
que passou por aqui antes
que mesmo vivendo em um mundo de coisas sem existência
e absorvendo as ideias inventadas das outras pessoas
tratou de passar todo esse vácuo adiante
e é gente que não entende a gente
isso é o que mais tem
sinto que já é hora de desconstruir tudo
quebrar os muros da escola
é o tempo dos vândalos
pegar todas as carteiras e queimá-las no pátio
parece que só isso pode dar alívio
a essa tensão
que é viver em um mundo de relações superficiais
um mundo que construíram pra que a gente viva a vida sem viver
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Passagem de ano novo
Quero uma passagem de ano novo
pra um outro planeta.
Quero uma passagem de ano novo
pra viajar na cauda de um cometa.
Quero passar, mas não tenho pressa.
Quero uma passagem pra te ver
Quero uma passagem pra me encontrar.
Quero passagem pra fazer a dor passar.
pra um outro planeta.
Quero uma passagem de ano novo
pra viajar na cauda de um cometa.
Quero passar, mas não tenho pressa.
Quero uma passagem pra te ver
Quero uma passagem pra me encontrar.
Quero passagem pra fazer a dor passar.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Ano que vem
um feliz ano novo
pra quem eu ainda não conheço
e que seja muito feliz
quem vai me encontrar no próximo ano
daqui há um ano
virei nessa mesma praça
encher meu peito de ar
e dizer pra você como foi bom!
e nós vamos nos olhar nos olhos
sair por aí pedalando
e sorrindo pra tudo
porque então
você será meu amigo há um ano
como agora são os que conheci no ano passado
os que conheci nos anos passados
pra quem eu prometi voltar aqui
aqui estou, amigos
vamos encher o peito de ar
vamos renovar nossos laços
e sair por aí pelas nuvens
pedalando
ou você vai de balão?
esse pode não ter sido o melhor ano de todos
mas se eu fui feliz, é porque tive você
e agora você sabe que me teve também!
vamos voltar aqui no ano que vem!
pra quem eu ainda não conheço
e que seja muito feliz
quem vai me encontrar no próximo ano
daqui há um ano
virei nessa mesma praça
encher meu peito de ar
e dizer pra você como foi bom!
e nós vamos nos olhar nos olhos
sair por aí pedalando
e sorrindo pra tudo
porque então
você será meu amigo há um ano
como agora são os que conheci no ano passado
os que conheci nos anos passados
pra quem eu prometi voltar aqui
aqui estou, amigos
vamos encher o peito de ar
vamos renovar nossos laços
e sair por aí pelas nuvens
pedalando
ou você vai de balão?
esse pode não ter sido o melhor ano de todos
mas se eu fui feliz, é porque tive você
e agora você sabe que me teve também!
vamos voltar aqui no ano que vem!
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Nuvens
você é a mão?
sei não,
mas se tivesse que escolher alguém nesse desenho
pra ser você
escolheria as nuvens.
As nuvens são brancas
tal como a sua cor na maior parte do tempo
mas se ele mudar, virar
as nuvens se tornam de cinza escuro ao negro
que é como você fica depois de um dia de Sol.
e quando o Sol faz do dia amarelo,
as nuvens resolveram dissipar.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
o dia em que meu coração voltou em uma embarcação
meu coração é meu de novo
partiu em uma embarcação
e voltou em outra
com as ondas do mar
como as ondas do mar
poderia dá-lo a quem quisesse,
mas nunca mais o deixarei, coração
seremos apenas eu e você
isso lhe prometo
e se algum dia quiseres me deixar
irei contigo
com as ondas do mar
devorando tudo que há nesse mundo
como as ondas do mar
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
cento e cinquenta dias
ontem
fim da tarde
vão do Masp
encontrei Olívio, o poeta
ali, como quem não quer nada
como se não fosse, queria um troco
em troca de versos impressos em um livreto
eu gosto de rimas, Olívio
mas pra onde me levariam suas palavras?
cerrado o seu livro está para mim
não tenho como trocá-lo ou tocá-lo
consubstanciá-lo naquilo que precisa
estender e entender sua existência
no vão do Masp
vi ali Olívio
que ninguém mais via
e que só se ouvia
fazendo público apelo
despido de pudor
o escambo: dinheiro por versos
quem, Olívio
no fim do dia
- cansado, torto, cheio de súplica e sem razão -
quer comprar poesia?
Olívio,
fico imaginando como - tanto sentimento que temos -
se vive de olhares
que só se trocam por outros
quem vive deles, Olívio?
convive com eles
quem se alimenta deles
no vão do Masp, às terças
ou na Liberdade, aos domingos
quem come aquilo que sente?
obrigada por me olhar
obrigada por me tocar
por não querer me vender
por não querer se vender
naqueles instantes vivi eu
redescobrindo, aquém desse desânimo que me consome
o que tem dentro de nós
e o que tem, afinal
não importa
mas sim, quando se reconhece
temendo o fim da eternidade do momento
fugi em pensamentos
e com as pernas em meus próximos passos
sorri para quem quer que me cruzasse o caminho
nas calçadas atravessadas
busquei olhares naqueles transeuntes
quem são eles, Olívio?
você que tenta desmistificá-los
gente cheia de prosa
onde estavam quando estivemos chorando suas lágrimas?
desprezam-nos em nossas profundezas
em outro museu com seu vão
com o mundo dentro do peito
eu estava pronta pra me reerguer
obrigada, Olívio
depois de cento e cinquenta dias no inferno da transparência
finalmente vi alguém
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
O ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo
Havia um grupo de garotos brincando por ali. Quando nos aproximamos, com nosso grupo, percebemos que estavam no meio da rua. Participávamos todos de uma grande gincana. O nosso grupo era diferente do daqueles meninos que ali brincavam.
Súbito um carro - ou alguma coisa mais estranha que isso - atropelou os meninos. Nenhum deles morreu, mas seus corpos ficaram separados em pedaços espalhados pelo chão. Não havia sangue. Não havia desespero. Não se ouviram gritos. Mas ainda assim, era um grande problema ter partes de corpos espalhadas por aí. O nosso grupo se colocou a ajudar os rapazes. Abandonamos também a competição naquele momento.
Um dos garotos tinha ficado com a cabeça totalmente separada do corpo. Eu não tinha dado conta do paradeiro do corpo e fui logo me aproximando da cabeça, que tinha sido arremessada pra bem longe. Fui me encontrar com ela, a cabeça do garoto. Tomei-a em minhas mãos. Segurei seu leve peso não sabendo muito bem como fazer aquilo. Era estranho. Não sabia se ele sentia dor. Não dava pra ver suas estranhas.
Olhei firme nos olhos dele, embora não me lembre muito bem se ele chegou a abri-los. Notei que era um garoto muito bonito. Uma beleza que ia muito além da beleza física. Os cabelos eram lisos e pretos com uma franja que lhe caía nos olhos. O rosto bastante branco. Não posso dizer se era alto, nem mesmo magro.
Sem saber o que estava fazendo, comecei a acariciar o cabelo dele. Cheirar o rosto, as bochechas e as proximidades da boca. Eu gostei muito do cheiro dele e de como ele ficava preso entre a fina penugem que cobria sua pele. É uma coisa incrível essa de cheirar as pessoas. Ao longo do cheiro você descobre as texturas e como elas podem se combinar e variar pra produzir os cheiros que guardamos em nosso corpo. Eu gostei tanto do cheiro daquele rosto que quando me lembro disso, ironicamente, fico sem ar. Mas naquele momento eu buscava o cheiro dele, como se buscasse o próprio ar. Como eu ia respirando ele, sentia que os meus pulmões se enchiam, mas não era só de ar, ou de cheiro. Eram sentimentos pesados, que eu poderia descrever a sensação do passar pela laringe, pelo esôfago, pelo estômago e irem se instalar em todos os cantos ali dentro de mim, que ainda tinha um corpo pra sentir tanta coisa.
Como me senti à vontade e com vontade de fazê-lo, fui beijando seu rosto todo, as bochechas, os lábios. Devagar. Rápido. Percebi que era quente a sua boca e também dentro dele. Embora dentro dele fosse só uma cabeça, sem motivo pra ser quente. Era tão bom, que eu queria ter uma caixa pra guardar aquela sensação. À medida que nos beijávamos, sorriamos. Senti que o amava cada vez mais, e e era um amor muito grande, desses que eu só senti em sonhos.
Abracei aquela cabeça, como se nunca tivesse abraçado ninguém ou nada antes na vida. Com um tamanho desespero, uma urgência. Uma vontade de fazer a cabeça se fundir com o meu ser, com o meu próprio corpo. Abracei a cabeça como se estivesse abraçando seu corpo inteiro. Abracei a cabeça como se tivesse a necessidade de possuir a sua existência, como se ela fosse eu. A sensação mais mágica de todas é que me senti abraçada de corpo inteiro também. Inerte na felicidade daquele momento de troca. Feliz com o amor que eu, finalmente, podia dar pra alguém. Sem medos, sem jogos, sem pensar. Embora o amor com a cabeça parece direcionar-nos exatamente na direção contrária aos sentimentos.
Comecei a me perguntar como ele se sentia com aquela situação. Eu ali agarrando a cabeça dele, no meio de um acidente. Ele ali sem corpo. O que ele sentia? Poderia sentir? Ele não podia se mover. Não tinha escolha. Mas correspondeu aos meus cheiros, meus beijos, meus abraços, meus sorrisos. Estava sereno. Os olhos fechados e sem palavras. Era uma confiança mútua. Eu abraçava a cabeça e pensava bem forte: "você vai ficar bem!". Eu fiz amor com uma cabeça no meio de um cenário trágico. Um cenário que para a própria cabeça seria desesperador.
Não lembro exatamente da sequência de fatos que se desenrolou desde então. Mas sei que nos separamos por um tempo. Ele foi para algum lugar onde poderiam usar um pouco de magia para remendar seus pedaços. Os dois pedaços que tinham sido feitos dele. Muito tempo foi se passando e eu não tive mais notícias.
Num desses dias, eu me encontrei com um rapaz que tem as mesmas características físicas do garoto sem corpo. Não me lembro como, nem porque. Simplesmente aconteceu, no meio da rua, próximo ao local do acidente. Além da semelhança física ele demonstrou me conhecer. No começo eu achei que era o garoto sem corpo, mas não era não. Era apenas uma sombra. Ele falava demais e eu não confiava no que saia de sua boca. Não havia entre nós nenhuma ligação parecida com aquela que fica entre duas pessoas que tenham feito amor.
Começamos a nos beijar. Eu e aquele andróide esquisito. Eu achei que não fosse ter nenhum problema. Achei que o garoto sem corpo não voltaria mais e que era hora de tocar a minha vida adiante. Eu já tinha tentando esquecer o garoto sem corpo, mas eu não queria. É difícil abandonar, se desapegar de um sentimento como aquele. É uma pena ter que abrir de algo tão raro.
O garoto do corpo separado apareceu naquele dia. Ele estava fisicamente bem. Tinha novamente o corpo colado à cabeça. Ele ficou surpreso e pareceu muito triste ao ver que eu estava com a sua sombra. Meu coração partiu. A sensação era péssima. Eu nunca tinha feito aquilo e me senti muito mal por ter "enganado" o ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Eu me senti devastada pela tristeza que vi se manifestando com a presença dele. Nós nos separamos. Foi muito duro viver sabendo que havia aquela distância enorme entre nós. Uma distância que eu não poderia percorrer.
Lembrei que eu tinha uma espécie de encantamento pra usar. Não sei como eu tinha conseguido aquilo, eram uma coisa difícil de achar ou de fazer hoje em dia, e eu só tinha um. Era um encantamento do esquecimento. Decidi usá-lo para fazer o ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo esquecer a cena
que tinha visto naquele dia em que eu estava com a sua sombra.
Eu queria muito que ele não ficasse triste. Eu queria muito ficar com ele. Eu queria muito que ele não tivesse ficado triste por minha causa. Isso só seria possível se ele esquecesse o que tinha visto. Quando usei o encantamento, ele se esqueceu. Não estava mais triste. Mas mesmo estando perto de mim, nós não estávamos mais juntos. Eu não usei o encantamento em mim. Ainda me lembrava de tudo. Sabia o que tinha feito. Não havia mais sintonia em nosso pensamento.
Apareceu alguém no meio do meu sofrimento e me disse que a única maneira de eu me livrar daquilo
era contando a verdade ao ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Foi então o que fiz imediatamente. Não me lembro de sua reação. Não me lembro do que aconteceu. Depois acordei. Separada mais uma vez do ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Vários mundos distante.
Onde acordei não existem encantamentos, como tenho percebido duramente. Tudo que eu queria era me fazer esquecer que se pode ser tão feliz.
Súbito um carro - ou alguma coisa mais estranha que isso - atropelou os meninos. Nenhum deles morreu, mas seus corpos ficaram separados em pedaços espalhados pelo chão. Não havia sangue. Não havia desespero. Não se ouviram gritos. Mas ainda assim, era um grande problema ter partes de corpos espalhadas por aí. O nosso grupo se colocou a ajudar os rapazes. Abandonamos também a competição naquele momento.
Um dos garotos tinha ficado com a cabeça totalmente separada do corpo. Eu não tinha dado conta do paradeiro do corpo e fui logo me aproximando da cabeça, que tinha sido arremessada pra bem longe. Fui me encontrar com ela, a cabeça do garoto. Tomei-a em minhas mãos. Segurei seu leve peso não sabendo muito bem como fazer aquilo. Era estranho. Não sabia se ele sentia dor. Não dava pra ver suas estranhas.
Olhei firme nos olhos dele, embora não me lembre muito bem se ele chegou a abri-los. Notei que era um garoto muito bonito. Uma beleza que ia muito além da beleza física. Os cabelos eram lisos e pretos com uma franja que lhe caía nos olhos. O rosto bastante branco. Não posso dizer se era alto, nem mesmo magro.
Sem saber o que estava fazendo, comecei a acariciar o cabelo dele. Cheirar o rosto, as bochechas e as proximidades da boca. Eu gostei muito do cheiro dele e de como ele ficava preso entre a fina penugem que cobria sua pele. É uma coisa incrível essa de cheirar as pessoas. Ao longo do cheiro você descobre as texturas e como elas podem se combinar e variar pra produzir os cheiros que guardamos em nosso corpo. Eu gostei tanto do cheiro daquele rosto que quando me lembro disso, ironicamente, fico sem ar. Mas naquele momento eu buscava o cheiro dele, como se buscasse o próprio ar. Como eu ia respirando ele, sentia que os meus pulmões se enchiam, mas não era só de ar, ou de cheiro. Eram sentimentos pesados, que eu poderia descrever a sensação do passar pela laringe, pelo esôfago, pelo estômago e irem se instalar em todos os cantos ali dentro de mim, que ainda tinha um corpo pra sentir tanta coisa.
Como me senti à vontade e com vontade de fazê-lo, fui beijando seu rosto todo, as bochechas, os lábios. Devagar. Rápido. Percebi que era quente a sua boca e também dentro dele. Embora dentro dele fosse só uma cabeça, sem motivo pra ser quente. Era tão bom, que eu queria ter uma caixa pra guardar aquela sensação. À medida que nos beijávamos, sorriamos. Senti que o amava cada vez mais, e e era um amor muito grande, desses que eu só senti em sonhos.
Abracei aquela cabeça, como se nunca tivesse abraçado ninguém ou nada antes na vida. Com um tamanho desespero, uma urgência. Uma vontade de fazer a cabeça se fundir com o meu ser, com o meu próprio corpo. Abracei a cabeça como se estivesse abraçando seu corpo inteiro. Abracei a cabeça como se tivesse a necessidade de possuir a sua existência, como se ela fosse eu. A sensação mais mágica de todas é que me senti abraçada de corpo inteiro também. Inerte na felicidade daquele momento de troca. Feliz com o amor que eu, finalmente, podia dar pra alguém. Sem medos, sem jogos, sem pensar. Embora o amor com a cabeça parece direcionar-nos exatamente na direção contrária aos sentimentos.
Comecei a me perguntar como ele se sentia com aquela situação. Eu ali agarrando a cabeça dele, no meio de um acidente. Ele ali sem corpo. O que ele sentia? Poderia sentir? Ele não podia se mover. Não tinha escolha. Mas correspondeu aos meus cheiros, meus beijos, meus abraços, meus sorrisos. Estava sereno. Os olhos fechados e sem palavras. Era uma confiança mútua. Eu abraçava a cabeça e pensava bem forte: "você vai ficar bem!". Eu fiz amor com uma cabeça no meio de um cenário trágico. Um cenário que para a própria cabeça seria desesperador.
Não lembro exatamente da sequência de fatos que se desenrolou desde então. Mas sei que nos separamos por um tempo. Ele foi para algum lugar onde poderiam usar um pouco de magia para remendar seus pedaços. Os dois pedaços que tinham sido feitos dele. Muito tempo foi se passando e eu não tive mais notícias.
Num desses dias, eu me encontrei com um rapaz que tem as mesmas características físicas do garoto sem corpo. Não me lembro como, nem porque. Simplesmente aconteceu, no meio da rua, próximo ao local do acidente. Além da semelhança física ele demonstrou me conhecer. No começo eu achei que era o garoto sem corpo, mas não era não. Era apenas uma sombra. Ele falava demais e eu não confiava no que saia de sua boca. Não havia entre nós nenhuma ligação parecida com aquela que fica entre duas pessoas que tenham feito amor.
Começamos a nos beijar. Eu e aquele andróide esquisito. Eu achei que não fosse ter nenhum problema. Achei que o garoto sem corpo não voltaria mais e que era hora de tocar a minha vida adiante. Eu já tinha tentando esquecer o garoto sem corpo, mas eu não queria. É difícil abandonar, se desapegar de um sentimento como aquele. É uma pena ter que abrir de algo tão raro.
O garoto do corpo separado apareceu naquele dia. Ele estava fisicamente bem. Tinha novamente o corpo colado à cabeça. Ele ficou surpreso e pareceu muito triste ao ver que eu estava com a sua sombra. Meu coração partiu. A sensação era péssima. Eu nunca tinha feito aquilo e me senti muito mal por ter "enganado" o ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Eu me senti devastada pela tristeza que vi se manifestando com a presença dele. Nós nos separamos. Foi muito duro viver sabendo que havia aquela distância enorme entre nós. Uma distância que eu não poderia percorrer.
Lembrei que eu tinha uma espécie de encantamento pra usar. Não sei como eu tinha conseguido aquilo, eram uma coisa difícil de achar ou de fazer hoje em dia, e eu só tinha um. Era um encantamento do esquecimento. Decidi usá-lo para fazer o ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo esquecer a cena
que tinha visto naquele dia em que eu estava com a sua sombra.
Eu queria muito que ele não ficasse triste. Eu queria muito ficar com ele. Eu queria muito que ele não tivesse ficado triste por minha causa. Isso só seria possível se ele esquecesse o que tinha visto. Quando usei o encantamento, ele se esqueceu. Não estava mais triste. Mas mesmo estando perto de mim, nós não estávamos mais juntos. Eu não usei o encantamento em mim. Ainda me lembrava de tudo. Sabia o que tinha feito. Não havia mais sintonia em nosso pensamento.
Apareceu alguém no meio do meu sofrimento e me disse que a única maneira de eu me livrar daquilo
era contando a verdade ao ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Foi então o que fiz imediatamente. Não me lembro de sua reação. Não me lembro do que aconteceu. Depois acordei. Separada mais uma vez do ex-garoto-da-cabeça-separada-do-corpo. Vários mundos distante.
Onde acordei não existem encantamentos, como tenho percebido duramente. Tudo que eu queria era me fazer esquecer que se pode ser tão feliz.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
orgia
bruno me levou para uma orgia essa noite
tinha muita gente
mas eu só a avistei
e comecei a ter com ela
desde o começo, uma orgia
que eu nunca quis
todas essas pessoas com olhares sensuais
e eu, flertando com a preguiça
no meio do caminho, uma orgia
que eu precisava
e todas essas pessoas gemendo
e eu, comendo calada a preguiça
e bruno?
esbaldava-se.
eu lá jogada num sofá
com tanta preguiça!
demos uns pegas
devagarinho
e dancei também com elas
fizemos de tudo um pouco
a dois, a três
as preguiças e eu
não sou mais a mesma
depois dessa atropelança cansada
não pense que terminei a noite sozinha
que sorte!
saí ainda na companhia dela
fugimos juntas para o meu loft
uma orgia!
obrigada.
nunca cheguei a acreditar que eu seria capaz.
depois de todos, no final
a quem devo agradecer?
tinha muita gente
mas eu só a avistei
e comecei a ter com ela
desde o começo, uma orgia
que eu nunca quis
todas essas pessoas com olhares sensuais
e eu, flertando com a preguiça
no meio do caminho, uma orgia
que eu precisava
e todas essas pessoas gemendo
e eu, comendo calada a preguiça
e bruno?
esbaldava-se.
eu lá jogada num sofá
com tanta preguiça!
demos uns pegas
devagarinho
e dancei também com elas
fizemos de tudo um pouco
a dois, a três
as preguiças e eu
não sou mais a mesma
depois dessa atropelança cansada
não pense que terminei a noite sozinha
que sorte!
saí ainda na companhia dela
fugimos juntas para o meu loft
obrigada.
nunca cheguei a acreditar que eu seria capaz.
depois de todos, no final
a quem devo agradecer?
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
...
não vou abandonar o que não faz sentido
não estou louca
mas eu queria estar
tudo que possuo
torna-se amarra
dizer olá a tanta gente
deixar de pensá-las
pois possuo as palavras
apenas enquanto não me escapam da boca
há coisa por aí que não se diz
e que poderia salvar o mundo
ele mesmo uma transmutação de paisagem
em pensamento, sentido e,
por fim, em palavra
era o céu
meu desejo
era o mar
minhas lágrimas
hoje é o deserto
meu coração
sem beirar a loucura ainda
abandonei muita coisa
mas não o sorriso,
esse me tem roubado
não estou louca
mas eu queria estar
tudo que possuo
torna-se amarra
dizer olá a tanta gente
deixar de pensá-las
pois possuo as palavras
apenas enquanto não me escapam da boca
há coisa por aí que não se diz
e que poderia salvar o mundo
ele mesmo uma transmutação de paisagem
em pensamento, sentido e,
por fim, em palavra
era o céu
meu desejo
era o mar
minhas lágrimas
hoje é o deserto
meu coração
sem beirar a loucura ainda
abandonei muita coisa
mas não o sorriso,
esse me tem roubado
vindur í hárinu
Rugas
eu acho as rugas bonitas
elas acrescentam algo metafísico misterioso
à nossa personalidade
as rugas que me vão aparecendo
são marcas
de não-desistência
as rugas são cicatrizes heróicas,
ilustrações do tempo
pra mostrar que persistimos vivendo
e eu gosto delas!
elas acrescentam algo metafísico misterioso
à nossa personalidade
as rugas que me vão aparecendo
são marcas
de não-desistência
as rugas são cicatrizes heróicas,
ilustrações do tempo
pra mostrar que persistimos vivendo
e eu gosto delas!
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
terça-feira, 27 de agosto de 2013
seus
o mar é o céu
o céu é o mar
o mar e o céu
o céu e o mar
o mar é o céu
o mar é seu
é seu o mar
é seu o céu
o céu amar
o már é céus
amar, o mar
omaromaromaromaromaromaromar
o céu é o mar
o mar e o céu
o céu e o mar
o mar é o céu
o mar é seu
é seu o mar
é seu o céu
o céu amar
o már é céus
amar, o mar
omaromaromaromaromaromaromar
flies
time flies
flies fly
time ties
times tie
time's tie
fly, flies!
time lies
flies tie
fly ties
flies's tie
flies
times
thousands
flies fly
time ties
times tie
time's tie
fly, flies!
time lies
flies tie
fly ties
flies's tie
flies
times
thousands
Assinar:
Postagens (Atom)





