domingo, 20 de dezembro de 2015

Passagens



eu passo por elas,
elas passam por mim
feito maré

quando eu me sentia segura em meio às nossas conversas
quando eu era eu mesma no meio de vocês
mas fugimos, meus amigos
fugimos uns dos outros.

o que passa pelas pessoas
assim que leva o coração embora
já nem sei com quem falo
não sei o que falo

não sei mais quem
sou

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

nosso coração não é nem maior, nem menor que o mundo
a felicidade ou a dor nunca vão caber dentro da gente

saudade

saudade sempre chega
na hora em que precisamos de uma lembrança
pra nosso coração alargar.

saudade é necessária
e dela não há como escapar.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

perceber o eu imerso no meio de tudo

brigas

é um pouco estranho ver as pessoas brigando tanto por aquilo que, no fim das contas, torna-se simplesmente assumir os papéis sociais das outras
a maioria das pessoas se limita a se enxergar, enxergar a totalidade de suas existências como algo limitado a seus papéis sociais
isso leva a um acúmulo de poder ali
o que leva a  disputas

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

mudanças

por que não conseguimos nos enxergar como um ?
parece que a gente sempre procura motivos que nos separam uns dos outros.
a gente descobre uma ideologia libertadora e acha que sabe de uma coisa que os outros não sabem.
aí a gente quer levar aquilo pra todo mundo, porque a gente sabe de uma verdade, e que eles não sabem.
essa coisa que está por trás de "eu sei" e "você não" é o poder que as ideologias dão para as pessoas.
o poder nos distingue uns dos outros.
parece que existe um processo de hierarquização intrínseco associado a essa coisa de "levar uma verdade libertadora para as outras pessoas"; emponderar as outras pessoas.

não é que eu ache que a gente não consegue fazer isso, não é que eu  ache que seja impossível
olho o processo histórico e observo nas sucessivas falhas dos grupos - ou das ideologias quando essas se confundem com os grupos -,  em levar seu projeto de melhorar a humanidade adiante.
o que tem acontecido é uma inversão de valores
é o novo se tornar o velho
quem critica a ditadura se torna ditador
quem critica a individualização se torna individualista.

me parece que a gente precisa trocar constantemente de "bolha", tomar distância constante das coisas pra nunca sair desse processo de descoberta.
eu sinto isso, porque acho que a única coisa que vai barrar esse processo histórico de inversão é o amor no nível dos sentimentos, e a dúvida, a nível existencial, no plano de ações.
confiar demais em qualquer coisa que não seja o sentimento de amor pelos seres vivos, pelas pedras, pelo Sol, me parece uma sementinha para cair na contradição, na separação, na busca pelo poder

*a única coisa sobre a qual eu tenho absoluta certeza é sobre o amor que sinto. aliás, talvez seja o único sentimento real, digamos assim. parece que todo o resto é pensamento, racionalização, e isso tudo é sujeito a ideologias.
ideologias são sempre iguais. elas nos dão a impressão de ir longe, de ir além. em instâncias práticas, elas são úteis, podem ser bonitas, feias. mas bonito e feio são faces da mesma moeda. são ideologias.
não sei se é bem isso.  talvez amanhã eu pense diferente. e isso é ótimo.

** eu acho  "ajudar" uma coisa linda. mas eu tenho questionado muito essa ideia de ajuda. prefiro não pensar que uma pessoa ajuda a outra. eu sinto que o que há entre as pessoas é que estão ambas ligadas para melhoria mútua. e tem processos nos quais somente duas pessoas conseguem se ajudar. isso compõe a base do que penso sobre relacionamentos amorosos, por exemplo.

imagino (não sei) que nós somos tudo a mesma coisa, e muitos dos motivos pelos quais as pessoas acham que precisam ajudar os outros são motivos muito superficiais. e que, por sua vez, promovem mudanças superficiais nas pessoas. as mudanças profundas não são ensinadas. pelo menos acho que não nesse plano aqui que estamos experimentando.
a gente tem ideias que parecem ultrapassar a bolha na qual a gente tá inserido, e isso é absolutamente ótimo. mas tem sempre uma bolha dentro da outra.

tem também aquela questão das pessoas que vivem um processo de negação. elas veem que o mundo tem coisas boas e coisas ruins. e promovem uma distinção entre ambas. elas falam que coisas boas e coisas ruins são a mesma coisa, claro. mas elas preferem negar as coisas ruins. não entrar em contato com elas. nisso existe uma ditadura do sorriso, da positividade. claro. são pessoas lindas. bem intencionadas. mas eu sinto que elas vivem esse processo de negação das coisas. pra realidade mudar a gente tem que se apropriar do mundo. do jeito que ele está. a gente pode entender o mundo se afastando dele sim, mas não é negando a existência, o contato, ou mesmo a observação a distância das tristezas, negatividades, que a gente vai mudar alguma coisa.
assim a gente só muda a própria bolha.







quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

2015

deixamos morrer um rio, que fez do mar sepultura
liberamos para regime aberto morador de rua que ficou preso por dois anos pelo crime de porte de água sanitária e desinfetante
nossa polícia bate em professor
nossa polícia bate em criança
nossa polícia fuzila crianças porque elas são negras
nossa polícia aprende a bater e matar nossa gente
políticos-corruptos-vingativos-chantagistas vagam por aí sob panelaços de aprovação popular
a gente chora