domingo, 18 de outubro de 2015

papo com Pedras

Outro dia quando passei por uma cachoeira de água cristalina e azul, fiquei observando longamente uma pedra. Pode-se dizer que trocamos um momento de observação recíproca, eu acho, ou em linguagem mais apropriada, que eu bati um papo com uma pedra. Aprendi da pedra. E parece que quanto mais eu observava, mais aprendia.
Ela é uma pedra que fica bem no caminho por onde a água cai. Uma dessas que ajuda a formar a queda da cachoeira. Bem grande, talvez não tão grande quanto uma montanha. Mas ainda assim, imponente. Essa pedra me ensinou algo que nunca vou esquecer sobre a sabedoria milenar : paciência.

Fiquei observando ela ali, paciente, esperando a água passar sempre com pressa. de chegar ao chão. Você está meio acostumado a ver a pedras imponentes mais ou menos do mesmo jeito de sempre. Elas parecem nunca mudar. Parecem ser duras. Resistentes. Mas se você observar bem dentro do coração das pedras vai ver que elas são seres bem suscetíveis a mudança, e que, ao contrário do que se pensa, não são inertes. As pedras são pacientes. E elas tem uma sabedoria muito grande sobre o amor.

Elas pacientemente vão levando suas existências interagindo com os elementos capazes de promover mudança em seu estado físico. A água é um desses elementos. Ela passa impaciente pela pedra. Fazendo estardalhaço quando cai no chão, quando bate na pedra. A Pedra nunca reclama do barulho que a água faz quando bate nela. Ela nunca reclama. Só deixa a água passar. E enquanto a água passa, ela se transforma. Sua transformação muda também o modo como a água passa por ela. E assim, a pedra vai se transformando, compreendendo a natureza dos outros elementos, e compreendendo a si mesma em todo esse processo de transformação que é a vida.

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