terça-feira, 6 de outubro de 2015

palavras

palavras. gosto, acho interessante, mas não confio muito.
palavras são uma redução.
é mais ou menos como se a gente pegasse um pacote de coisas, sentimentos, impressões, e dividisse em pequenas partes no intuito de estabelecer comunicação.
processo deveras complicado : primeiro a pessoa que fala separa o que ela quer dizer em partes. a pessoa que ouve interpreta parte por parte e tenta unir tudo depois.
quanto ruído existe !
poderia ser mais simples : levar o seu coração junto a outro coração e deixar os corações fluírem por aí. talvez o que flua sejam os fluxos dos corações e não propriamente corações. mas qual a diferença entre essas coisas?

tenho acompanhado discussões de grupos por aí. é triste. há grupos que pregam o amor, o respeito enquanto que suas discussões....  vejo que as discussões dentro desses grupos não caminham bem nessa direção. quando alguém aparece com uma ideia diferente, que soa preconceituosa para aqueles que consolidaram uma determinada maneira de pensar, eles são atacados. não existe compaixão, paciência. as pessoas deixam o ódio fluir.


disse ao meu amigo que "as coisas vão fluir quando a gente deixar de se focar nas caixinhas de conceitos, na separação entre as coisas, nas palavras". ele me diz que "não se pode chegar pra um grupo e dizer : gente vamos agora nos comunicar com nossos corações". é. talvez não. mesmo pra mim, que persigo isso, não é simples. a gente se comunica com o coração, mas duvida das respostas que recebe. ás vezes, se deixa dominar pelo medo, e volta pro modo normal de operar. porque a comunicação com o coração pede que você saiba se comunicar com o seu próprio coração. e isso é coisa rara. como a gente pode dizer que discussões em grupo levam a transformações pessoais, quando as pessoas não aprendem nem mesmo a se se ouvir ?

não vejo como ensinar as pessoas a realmente se escutarem dentro de um modelo que foca na discussão de assuntos que elas aprenderam a enxergar como sendo algo externo a elas, e muito menos usando palavras como veículo pra isso. as palavras põe o foco de qualquer discussão nas caixinhas de conceito, na separação. estou me repetindo.

acho que como somos o todo, quando a gente muda a si próprio, o nosso íntimo, a gente muda o todo também. por isso, não entendo muito bem esse foco das pessoas em mudar o resto que não elas próprias. é que a gente consolidou a nossa visão de mundo desse jeito, com a separação, a outrificação. e acredito até que seja um aprendizado muito grande pra gente se enxergar como partes do todo. acho que temos que experimentar e aprender nesse mundo, desempenhando os papéis de maneiras que façam o todo "progredir", digamos assim. mas essa palavra progredir é ruim. então, dentro disso, mudar a si próprio é um esforço e um exercício de mudança para o coletivo.

mas se a gente pode aprender com a separação, então também deveria existir aprendizado significativo dentro desse modelo das palavras.  não faz sentido viver uma vida tentando se esquivar dela ou não dando presença aos momentos. esse modelo das discussões. faz sentido localmente, para nossas existências particulares. mas, para mim, o que faz sentido no sentido holístico, e digamos na essência de uma "realidade" é esse modelo de comunicação do coração. você veja que por dois motivos nem eu consigo explicar muito bem o que quero dizer com tudo isso : minha falta de habilidade para explicar o que estou sentindo; e a falta de palavras para traduzir isso de maneira precisa. mas, ainda assim, sei que o que estou dizendo é compreensível para aqueles que vão além das palavras.


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