domingo, 30 de agosto de 2015

Guerra dos Mundos

Uma das coisas que mais me interessa é a relação entre a imaginação e a realidade. Traduzindo em miúdos da vida em sociedade, a relação entre a imaginação e a ciência; imaginação e literatura e imaginação e experiência. A contramão dessas relações, quer dizer, a influência da ciência sobre a imaginação, e assim por diante, também faz parte desse bolo interessantíssimo de interesses. 

Algo especialmente intrigante para mim são os relatos de pessoas que foram abduzidas por alienígenas. Nunca passei por uma experiência desse tipo, de abdução, mas encontrei-me com pessoas, que marcam muito minha vida, inclusive, que se diziam alienígenas e contavam histórias sobre o fim do mundo. Pois bem, esses relatos são altamente interessantes por ocuparem uma delicada fronteira entre o que é real e o que é imaginado, especialmente considerando que a realidade pode ser imaginada e que nosso imaginário cultural constitui uma fonte de informação importante nesse processo. As experiências imaginadas podem ser tão fortes que se constituem como experiências reais, ou, melhor dizendo, que se parecem com o resto das nossas experiências "reais", enquanto estamos despertos. Interessantemente, muitas dessas experiências são relatadas como uma mistura entre sonho e realidade. O que, inclusive, é uma fonte de grande confusão e insegurança para aqueles que as relatam, conduzindo as pessoas a questionar a própria saúde mental. 

Mas desde que lidamos com algo proveniente do nosso imaginário, estamos lidando com a história de nossa cultura. e, aqui, particularmente neste momento e para este assunto, a relação entre imaginação-realidade-história me interessa bastante. Ao que me parece, a maior fonte de informação sobre contato entre humanos e extraterrestres está nos Estados Unidos, e assim essa história permanece no nosso imaginário - nós que absorvemos e somos influenciados pela cultura norte-americana. O maior número de casos registrados, que vieram a público, estejam eles entre os casos duvidosos e os que mereçam estudo sério de estudiosos da mente, por exemplo, estão nos EUA. De forma que essa cultura sobre contatos com extraterrestres é bastante forte no mundo dos anglo falantes. Claro que estudiosos norte-americanos buscaram outros relatos pelo mundo, mas os casos mais conhecidos, quando aconteceram na África, o caso do Zimbábwe (Escola Ariel), por exemplo, as crianças que relataram o encontro eram crianças alfabetizadas em inglês. Por limitações óbvias não consigo encontrar muita coisa sobre esse tipo de encontro na cultura oriental, especialmente, antes de sua imersão no ocidente e no imaginário cinematográfico norte-americano. 

Em um documentário sobre o que aconteceu na Escola Ariel, Zimbábwe, um especialista menciona que esses relatos teriam começado na década de 20, quando pessoas começaram a desenhar a imagem hoje tão conhecida dos alienígenas (olhos negros, grandes e puxados). Naquela época, nos EUA, dois conhecidos astrônomos norte-americanos, trabalhando em observatórios sediados na Califórnia, rediscutiram a possibilidade de existência de outras galáxias, trazendo à tona no século 20 uma questão que atravessou séculos. A implicação direta da existência de outras galáxias é que o Universo seria muito maior do que o que imaginávamos, abrindo possibilidades para um novo tempo de insegurança cósmica. Além disso, na mesma época e dentro dessa mesma discussão dos astrônomos, outro tema dividia opiniões e dados científicos : nossa posição dentro do sistema solar. 

De alguma maneira, eu sinto e acredito em uma correlação entre esses eventos. A discussão sobre a existência de outras galáxias foi razoavelmente divulgada naquela época, pelo menos o suficiente para compor algo significativo no imaginário coletivo. Claro que aqui estou me dando liberdade para usar  termos como inconsciente coletivo ou imaginário coletivo sem muita preocupação com o rigor. Eu não quero colocar em questão, ou não está em questão para mim, a veracidade dos relatos. Quero dizer, eu acredito que as pessoas que relatam esses acontecimentos, claro, não todas, realmente acreditam ter vivido um contato com alienígenas e tem as impressões registradas em suas memórias. O que é mais interessante para mim é como essas memórias foram parar ali e como a imaginação atua nesse processo. Ou seja, como a  imaginação produz a "realidade", e é, ao mesmo tempo, produzida por ela, entendendo como realidade aqui na segunda sentença nosso contexto cultural.

Sobre o relato das crianças, de que a mensagem que os alienígenas transmitiram era sobre o fim do mundo, catástrofes, de que não estamos cuidando bem do nosso planeta, etc. Lembro-me que nas proximidades de 1994, houve uma grande comoção no Brasil pelo acontecimento da Eco 92. Pelo menos no início dos 90, essa discussão era bem conhecida, e como eu devia ter uns 10 anos naquela ocasião, eu posso dizer que houve uma grande comoção entre as crianças. Quero dizer, a gente pintava na escola sobre a Eco 92, a gente falava sobre a necessidade de cuidar da natureza,  e do planeta e um símbolo que a gente reconhecia bem era o do planeta Terra e vários humanos de mãos dadas em torno dele. Minha intenção não é nem de longe sugerir que essa história toda é um golpe, ou de que ela foi produzida pela mídia, e muito menos que seja um delírio infantil. Quero dizer, psiquiatras reconhecidos estudam esse assunto com rigor e seriedade



Ver em : https://www.youtube.com/watch?v=TeXq-ifs5JY





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