domingo, 30 de agosto de 2015

futuros

O mundo no futuro será tudo aquilo que imaginarmos para ele. Eu acredito fortemente no poder da imaginação humana como criadora da realidade e que tudo aquilo que imaginamos cria ou molda a "realidade". (e realmente passa a existir, desde que seja compartilhado por um número grande de pessoas  - ou como uma realidade local para pequenos grupos)

Fico repassando as formas como o sistema capitalista, por exemplo, mexe com nosso imaginário e como, talvez, muito de seu sucesso e sua propagação ao longo dos séculos se devem à relação que mantemos com a nossa imaginação. O mesmo com as religiões, com a ciência e obviamente com todas as coisas que estão por aí moldando a maneira como enxergamos o mundo e como imaginamos o mundo no futuro. Talvez por isso, exista tanta semelhança entre os futuros imaginados por escritores de ficção-científica e o presente hoje compartilhado por nós.

Talvez tudo isso resida na condição humana : nós queremos dar vida àquilo que imaginamos. Ao que chamamos de paixão, impulso, vontade. Por exemplo, queremos que a mitologia religiosa seja realidade e a isso chamamos de fé (claro que o sentimento de fé aqui não se resume e é provavelmente composto por milhares de outras coisas. Mas há algo nele de muito forte que é essa vontade de criar, de dar existência ao que foi imaginado). Tentamos materializar a teoria religiosa de alguma forma e procuramos por sinais das entidades fantasmagóricas pelo mundo pra dar mais sossego pra nossa alma. 

Queremos tornar aquilo que imaginamos parte da vida porque talvez a gente sinta que nesse processo a presença se materializa. A imaginação é real, quero dizer, eu consigo realmente ter sensações muito intensas, ou presentes, nos mundos que imagino, com as pessoas que imagino. Mas falta algo nesse mundo imaginado e sinto que esse algo é a presença em sua plenitude. Não é da presença de um outro que estou falando. Falo da nossa própria presença. Inteira, completa. Presença é estar no momento. Presença é se dar conta de que o fluido da vida e você são a mesma coisa. 

Quando criança sempre acreditei no meu poder de transformar a realidade, de adaptar a realidade, de fazer dela o que eu quisesse. E graças aos meus vários estratagemas e esquemas mentais pra tornar essa crença real, materializá-la, eu nunca me decepcionei com isso. Era algo certo pra mim. É claro que eu imaginava coisas que não se concretizavam. Mas eu sempre dei um jeito de entender - dentro da minha teoria - porque essas coisas não se concretizavam. Por que é que eu não podia voltar ao passado ? Por que é que eu nunca acordava uma garota bonita ?

Há alguns anos, acho que perdi a capacidade genuína de acreditar que posso manipular a realidade. Recuperar essa crença é hoje uma das coisas mais importantes pra mim. Eu sinto que imaginar é tudo e a vida depende da maneira como nos adaptamos ao fluido no qual estamos imersos, ou do qual fazemos parte*. O pensamento, a mente, podem se levar por esse fluido, e podem também manipulá-lo. Estranhamente manipulamos esse fluido quando nos damos conta de que nós somos o fluido (*eu não queria dizer parte dele, porque dá a ideia de separação e não existe separação entre nós, mente, e esse tal fluido, a vida quando a iluminação parece ser um momento, um átimo em que nos damos conta de que somos tudo a mesma coisa. Seja lá essa coisa o que for, ela é tudo.)

E se tudo que existe é esse fluido, que vaga e corre no sentido do que imaginamos, pensamos, construímos, como pode o futuro correr no sentido diferente do que aquilo que prevemos para ele ? Se o futuro está acontecendo agora, pode ser. Tudo pode estar acontecendo agora e a imaginação pode ser uma leitura dos vários tempos que se tocam. Uma leitura do correr desse tal fluido. Não existe quando.

E múltiplos futuros ? Existem ? É como eu disse : existe tudo aquilo que imaginarmos. Mas, na minha "sentiência", não dá pra saber quem veio antes: a imaginação ou a presença. A presença pode ser imaginação ? Tudo pode. Não precisa fazer sentido, e não tem a menor importância.






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