segunda-feira, 31 de agosto de 2015

ansiedade de viagem

Conversando com meu amigo, que está prestes a embarcar pra longe, perguntei se ele estava ansioso.
Ele disse que sim, e eu disse a ele que sinto que a ansiedade, nesse caso, funciona mais ou menos como uma esperança de ser feliz. 

Meu amigo me perguntou se eu não fico ansiosa antes de uma viagem. Ansiosa daquele outro jeito, com aquela outra ansiedade, o medo de perder os mapas, de não encontrar os endereços, de não ter reservas em hostels. Essa ansiedade eu realmente estou perdendo com o tempo e hoje eu viajo sem reservas. Sei pra onde eu vou mesmo sem saber dos endereços. Acho absolutamente maravilhosa a sensação de chegar em uma cidade estranha, sem a menor noção de como é o mapa daquele lugar, ou de onde estou, e de tempos depois, guiada pela bondade das pessoas, ou por minhas próprias pernas e pela intuição, chegar a algo como uma casa. Hoje eu sinto o mundo mais como uma casa e as pessoas como pessoas que eu conheço. Aliás, ainda não é totalmente assim, nem todo dia é assim, mas vai se tornando mais e mais natural a cada dia. A minha ansiedade de viagem se parece mais como a ansiedade de um filho que retorna pra casa dos pais depois de muitos anos, ou meses, mas, no caso, sem nunca ter estado naquela casa. É uma ansiedade do encontro. O encontro com um lugar que conheço apesar de nunca ter estado nele antes, o encontro com pessoas que conheço, mas que ainda não sei quem são. E quando reconheço a casa nos lugares e nas pessoas, se ilumina meu coração. 

O amigo me disse que a parte mais aterrorizante é a do aeroporto, dos mapas, mas eu digo a ele : você não tem que fazer nada disso. Se você se escutar, aos poucos vai sentir o que quer fazer e vai ver que não precisa de mapas para encontrar os lugares, nem de celulares para encontrar as pessoas. Isso não deveria soar como uma receita, mas acredito que nosso coração vai sempre encontrar o coração dos lugares e reconhecer o coração nas pessoas. 




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