sábado, 24 de janeiro de 2015

um outro

às vezes acontece de eu me descolar de mim mesma
não sinto como se eu fosse eu, mas como se fosse uma outra
e eu me trato com o carinho que gostaria de tratar o meu outro
um dia desses, até me beijei
fiz carinho no meu rosto, nos meus braços, no meu cabelo, nas minhas mãos
bem devagar, sentindo a minha própria respiração
meu braço ficou cheio de pelos arrepiados
fui muito feliz comigo mesma
não é que eu não seria feliz com outra pessoa
não tem nada a ver com solidão
quando me senti mais amada na vida, foi quando me amei
esquecendo de mim

acho mesmo que a chave é essa
a gente tem que se amar
mas esquecendo de quem é
sempre tive essa questão sobre o auto-amor e o narcisismo
e vejo que quando a gente se ama de verdade, a gente se ama como ama ao próximo
quando ama o outro

o amor é isso
um exercício de alteridade
é sentir uma pontinha do que é ser na mistura de todos os seres
quando a gente ama
esquece quem é, esquece o que é
as pessoas encontram esse sentimento transcendente no amor romântico,
na meditação
no poliamorismo
cada um tem seu jeito
tem gente que encontra o amor até dentro de si, transformando-se em um outro.

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