sábado, 24 de janeiro de 2015

morte

essa noite
eu sonhei que estava no avião com meu avô
o avião caía
sentei ao lado dele e segurei a mão pra ele não ficar com medo
eu não es tava com medo
acho que a gente morreu
mas continuou vivendo
numa ilha perto de Fernando de Noronha
eu reconheci pelo relevo
mas bom,
antes de morrer
eu fiquei ansiosa, esperando pra ver se eu ia sentir dor
na hora da queda
se ia tudo acabar
enfim, estava curiosa
acho que isso q acontece nos segundos antes da gente morrer, quando sabe que vai morrer,


uma curiosidade

um outro

às vezes acontece de eu me descolar de mim mesma
não sinto como se eu fosse eu, mas como se fosse uma outra
e eu me trato com o carinho que gostaria de tratar o meu outro
um dia desses, até me beijei
fiz carinho no meu rosto, nos meus braços, no meu cabelo, nas minhas mãos
bem devagar, sentindo a minha própria respiração
meu braço ficou cheio de pelos arrepiados
fui muito feliz comigo mesma
não é que eu não seria feliz com outra pessoa
não tem nada a ver com solidão
quando me senti mais amada na vida, foi quando me amei
esquecendo de mim

acho mesmo que a chave é essa
a gente tem que se amar
mas esquecendo de quem é
sempre tive essa questão sobre o auto-amor e o narcisismo
e vejo que quando a gente se ama de verdade, a gente se ama como ama ao próximo
quando ama o outro

o amor é isso
um exercício de alteridade
é sentir uma pontinha do que é ser na mistura de todos os seres
quando a gente ama
esquece quem é, esquece o que é
as pessoas encontram esse sentimento transcendente no amor romântico,
na meditação
no poliamorismo
cada um tem seu jeito
tem gente que encontra o amor até dentro de si, transformando-se em um outro.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

monotonia

eu não quero viver uma vida monótona,
renuncio à quase todos os momentos monótonos
pra viver a angústia e a dor de não ter vivido
prefiro a vida assim porque a angústia, a dor, são mais intensas e mais reais do que qualquer momento que se vive apenas por viver
prefiro a solidão a conversas repetitivas com pessoas encharcadas pela monotonia alcoólica
a solidão a beijar alguém com quem eu não queira fugir
prefiro o caritó

e prefiro mesmo a solidão, que é um dos estados mais intensos que se pode experimentar