sexta-feira, 13 de setembro de 2013

sobre textos e poemas

eu tenho medo de escrever textos grandes. acho que entendo o por quê. é que quando eu começo a escrever me vem uma vontade de reportar cada mínimo detalhe que se passa na minha cabeça. não é uma obsessão pela descrição das coisas que eu vejo, mas uma vontade que começa pequena, mas que vai se tornando uma obsessão ao longo das linhas, de reportar tudo que sinto.
à medida que escrevo, parece que aquele tanto que eu penso vai ficando cada vez mais entediante. parece, a certo ponto, que tudo me escapa, porque a mão não é tão rápida quanto a cabeça, nem a memória tão boa quanto eu desejaria. essas quebras de simetria me deixam tremendamente frustrada e pra evitar uma sucessão de frustrações eu fujo de escrever.
não fui feita pra escrever grandes textos, nem mesmo contos. eu tenho ideias, e eu acho que elas são boas. eu me divirto com elas e, mais que isso, me divirto imaginando o texto, não as palavras em si, embora na maioria das vezes eu realmente imagine as palavras antes das tentativas de papel. mas parece que quando eu começo a escrever já estou cansada daquela ideia. ela parece velha, ficou sem graça. daí eu fujo. eu finjo.
eu fui feita para os textos menores. deve ser por isso que me dou tão bem com a poesia, ou com todo o texto que se passe por poema. aquele sentimento de frustração aqui eu desconheço. talvez seja melhor deixar indicado, subentendido, do que tentar descrever minuciosamente o que se sente, o que vem no fluxo dos pensamentos, e sentir a derrota. a proposta do poema é realmente essa: deixar tudo indicado.nada é certo. a contribuição do leitor é sempre importante, mas me parece que na poesia é ainda mais crucial do que em qualquer outro tipo de texto. a poesia é mais vaga, mais incompleta e ela é tão dependente de sentimentos aflorados, escondidos, que eu não sei em que medida as interpretações dos leitores se aproximam dos sentimentos escritos. daí eu me sinto protegida pela poesia. como se ela não revelasse a minha alma. mas ainda assim é muito bom quando alguém percebe alguma coisa ali escondida. aflora aquele sentimento único de compartilhar algo significativo com alguém.
poemas. poemas são curtos. não dá tempo de eu me cansar deles.

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