terça-feira, 27 de agosto de 2013

invasão


por que tanta pressa pra tudo
dói-me o corpo
das lembrantes aventuranças da noite passada

não se apresse pra lavar essa louça
como se fosse me fazer salvar o mundo
é real demais
a louça, a comida
as sobras
não deixe a vida invadir o sonho

temos que mantê-lo a salvo
dessa doença da racionalidade
que é uma desculpa cínica da falta de intencionalidade
que há em nossos corações

como posso preferir viver?

eu nunca quis essas coisas
que engolimos
pra serem aceitas
como se assim se incorporassem ao nosso céu

estava ocupada demais
morrendo em tempestades
enfrentando a fúria de tsunamis duplos
manipulando com as mãos
a matéria fluida dos acontecimentos oníricos

enquanto me diziam que a loucura beirava à minha margem
eu estive por aí com você
onde o sonho invadiu a vida

como então posso preferir uma
em que você não está

tudo é verdade
e eu sei que aconteceu
pois existiu tudo dentro de mim
e não há diferença entre a lembrança e o que há

a existência é uma propriedade
das coisas sentidas

como poderia escolher a vida
onde disseram-me que tudo existe,
mas não necessariamente se sente

prefiro a existência
por que nela me encontro e me acho
descobrindo que nada é necessário
nem tempo, nem espaço
nem matéria

apenas do que sinto, preciso
não há distinção sobre o que sonho e o que vivo
era já tarde pra mim
pois estive ocupada demais morrendo
mas como pude, preferi viver


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