quarta-feira, 28 de março de 2012

Pimenta no cachorro dos outros

Eu imagino que essa carta vai parecer totalmente sem sentido, mas estou me sentindo muito solitária.
Eu espero que sentindo-se aprisionada, como está a solidão, tente fugir, encontrando nessas palavras que me escapam o único meio de fazê-lo.

Essa carta é só um apelo de proximidade emocional. 
Uma experiência emocional interessante, uma vez que a ideia do desabafo me fez sentir como se uns três kilos de oxigênio deixassem a minha cabeça, a zona frontal dela, ou o córtex. Talvez.

Nos meus dentes, açúcar. Também neles a lembrança de um amigo que fiz hoje. 
Um cachorro que me seguiu fielmente pela rua do córrego.
Eu gosto dos cachorros e dos mendigos. Já a rua do córrego cheira bastante mal. 
Sim, eu prometo aprender a construir frases mais complexas para me expressar, no futuro.

Havia chocolates por toda a parte e o cachorro estava com uma amiga, a cachorra preta de tetas grandes.
Não soube por quanto tempo estiveram juntos antes do nosso encontro. O cachorro não respondeu nenhuma das perguntas que lho fiz. Mas ela, a tetuda, nos seguiu todo o tempo. Ele espiava, procurando por ela.

No fim, ele me trocou definitivamente pela cachorra preta. 
Eu, obrigada e ressentida, contentei-me com um caldo de feijão.
Foi um contentamento barato, dos mais apimentados.

As pessoas sempre põe pimenta nos caldinhos de feijão de segunda classe.
Eu adoro pimenta, mas prefiro colocar eu mesma ela no prato. Só pra ter certeza de que não estão tentando disfarçar nenhum sabor do qual eu possa não gostar.

Na verdade, nada disso faz muito sentido.

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