terça-feira, 12 de abril de 2011

3 eus

Foi assim: Eu estava lá, mas haviam outras duas de mim no mesmo lugar.
Era uma corrida estranha e, quando eu me lembro de ser uma das três que eu era, tentei zelar pela minha própria segurança. Nenhuma de nós poderia morrer naquele lugar. Uma era do futuro, a outra do passado e tinha obviamente um eu no tempo presente. Se qualquer uma de nós morresse, acho que ia explodir um paradoxo daqueles temporais bem ao estilo: Restaurante no fim do Universo.
Chegaram todos a uma sala onde tinha, no canto, uma máquina de refrigerantes, ou sei lá do quê. Eu podia me ver. Observava tudo na pele do meu eu futuristico. Fugindo de vários deles, mas não de mim mesma. Tinha que tomar cuidado para não ser atingida por nada, afinal eu não ia querer que meu eu do presente não tivesse uma vida no futuro.
Foi quando, de repente, um monstrinho muito pequeno, de uma cor marrom meio clara, talvez ocre, com cabelos pontudos e bem peludo, levou-me para dentro da máquina de café. Fomos para dentro da máquina como se fôssemos para dentro da televisão ou de um aparelho de rádio. Eu então soube, que deveria me retirar daquela realidade. Deveria voltar ao meu próprio tempo. Estava salva. Pensei em me jogar da janela, já que estava perto de uma.Pareceu-me a melhor saída. Avistei uma espécie  inimiga voando ao longe. Era certo que seria uma nova perseguição. No meio da queda, quando vi que a criatura me alcançaria, mudei o curso do vôo. Tornei ao quase pouso suave no subterrâneo, onde eu sabia que a criatura não poderia entrar. Nesse instante, eu não era mais eu. Não conseguia continuar presa à mente daquela que foi para dentro do túnel. Já era eu, o inimigo voador. Enraiveci-me pela fuga de mim mesma.
Comecei a rodopiar no ar como um urso de pelúcia. E foi isso que me tornei.

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