domingo, 21 de fevereiro de 2010

Céutemusique.

Explodiram em confeti
dois pássaros que estavam no ninho,
deixando para nós, asas.

Logo no primeiro vôo,
banhou-nos uma chuva achocolatada.
Vi que escorria da boca de guaxinins gigantes,
descobrimos em nós, guelras.

Nadávamos no mar-rom doce,
empurrava-nos para o fundo
o dono do mar.
Sufocávamos, socorreram-nos guarda-chuvas.

Ficamos com eles, partilhamos de sua mesa, travamos batalha.
Adormecemos.
Percebi patas e partimos.
Há silêncio nas fugas.
Não temas nelas a ausência.
Faz tempo bom nas profundezas.

Quem somos agora que tornamos?
As estranhas nos entranham.
Vigiam nossas asas,
fiscalizam-nos as guelras.
Somos abissais.

Quem são vocês que são os nossos?
Agora que tornamos de tudo.
Não nos temam.
Há asas e confeti para todos, creio.

No dia de uma sessão solene,
trouxe em nossa defesa apenas sonhos.
Havia um olho invisível em mim.
Mire-os com ele e não mintas.

Não tenha medo da ausência de palavras.
Não as tema também.
Temos asas, guelras, olhos e provisões.
Um Rei os reconheceria.
Não te escondas, faz tempo bom.












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