quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mar Duque vulgo Chá de Mate.


Enquanto fazia meu passeio matinal mental - hoje em lugares por onde não me arrisco muito com medo de ariscos animais selvagens ou do limo escorregadio das pedras - recebi a má notícia de dez mil anos atrás, como a queria Raul Seixas. Eis que me surgiu um pequeno, vestido como se fosse um eremita futurista - num trage fashion nostradâmico - anunciando como a sibila drogada, que o mundo haveria de acabar em 2012. Fiquei tranquila, porque ainda há tempo. Não sabia me dizer o profético em tom poético, se era pela estabilidade cósmica última, o máximo da entropia - que transforma tudo que existe no estático, sem vida - que o universo ia dar de acabar. E se fosse uma luta entre Vishnu e Marduk? E se Tiamat viesse em socorro de algum deles? Ressurgida das próprias cinzas, feito a fênix de encanto quebra-fractal. Chegaram as más notícias do fim, cegaram elas, aos homens. Parece as vezes que o Universo é feito de um fluido, que não importa bater o caminhão no poste. A ação, mesmo que condenável, é irresistivelmente inevitável. É o escoar de tudo que existe ou da energia do vácuo, que se condensa e que torna a ser outro mundo. Se esse acabar, certamente surgirão outros, e talvez estejamos neles, se não nós, enquanto esses que não evitam o inevitável, o que em nós existe. O universo acaba sem ter tido um começo, ou sem saber o que era antes dele. Uma galinha que bota ovos que se quebram, feitos os pedaços de desorganização, de informação do espaço, uma densidade escura. Será o fim do calendário maia mais uma vez. Talvez tivesse sido hoje às seis da tarde, como me disseram os meninos de raios cósmicos. Talvez lutassem Tiamat e Marduk no íntimo de cada um de nós. O antigo contra o novo, definidos na mudança fluida do tempo. O que lhes disse eu às seis e um? Que talvez os maias não soubessem trabalhar com constantes de integração ... nada me parece mais razoável.


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