quarta-feira, 29 de julho de 2009

Liquidificador.

São todas coisas
que copio de conversas mentais
enquanto as tenho:
... se o Universo fosse determinístico
os problemas todos
se resolveriam num jogar de dados.
A alteridade, o que importaria?
Se me dissessem: "Você vai bater a cabeça na parede essa madrugada!"
Eu procuraria não fazê-lo, a menos que estivesse prestes a cair no sono profundo, de onde não pudesse ou não quisesse tornar.
Se encontrasse Morfeu, permaneceria no sonho, porque a ele sempre procuro no escuro.
Mas, admitir a cabeça contra a parede me nego.
In-evitavelmente seria tomada por um comichão,
uma vontade de saber se afinal de contas me batem ou não, em um liquidificador.
E é óbvio que gostaria de tomar as rédeas dos acontecimentos, usando minha vontade pra cavalgar.
Mesmo sem querer (ou querendo mais do que tudo), iria até lá e faria,
pra provar que me feri por vontade própria e não porque a parede era uma determinação.
No fim das contas todo mundo ficaria feliz (?) e eu com um Galo na testa.
Galo é bom pra se cozinhar com arroz, depois de tostadas umas cebolas, e também eu tornaria ao riso!
À final, bater ou não bater a cabeça?
A parede era determinação e a falta dela indeterminação.
Inde-termina-ação, Onde-termina-ação?
Eu, no fim da ação, não na ausência do comichão contrário, termino na parede.
Tanto da falta quanto da concretização, sobraria um sem número de perguntas não respondidas,
perguntas batidas, angústias minúsculas que se tornam líquidas quando materializadas.
Feito numa mistura delas, que foram todas servidas... ser-vidas.
Ser vividas enquanto
forças centrífugas revolvem meus pensamentos em paredes.
Algumas perguntas guardadas, aguardam uma resposta... e outras foram viver.
Essas são justamente aquelas que podem se lique-fazer,
mas num liquidifica-a-dor.

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