domingo, 28 de junho de 2009

Café árabe.

... e um outro dia numa xícara de café
ficou um resto de borra
formando um borrão

disseram-me que ali se lia o destino
coisa na qual não pude
e não consegui acreditar
a despeito das tentativas

era um dia cabalístico
de pessoas sensitivas,
o que não se pode mudar
não se deve saber
de um jeito ou de outro
elas vão dar no lugar de acontecer

coisas que um amigo torto que apontou
enquanto eram um comercial na televisão
das plantações de abóbora em Goiás
e sobre borboletas que batem asas na Bahia de todos os santos

das palavras que não me saem da cabeça
dos seus rostos rotos, que vejo em todos os lugares
e a estranha coincidência de conhecê-lo sempre
sob a mesma alcunha,
aparentemente a mais comum das que deram de existir
aqueles goles eram de um líquido elixir
e enquanto ele falava, me lia
eu,
na minha pequeneza o ouvia,
sabendo estar ele em envólucros sutis

de todas elas,
as coincidências que se transubstanciam em borras de café
no fundo de uma xícara vazia
a não ser por ela mesma
inventando pra si um conteúdo

a não ser por nada
que vá na vida fazer algum sentido
o absurdo pálido do vazio
ou som determinista que a sensitiva leu
na borra nebulosa que é o destino meu.

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