quinta-feira, 28 de maio de 2009

água turvá

Numa tarde ensolarada
dessas em que a luz faz curva
a água do mar parecia meio turva,
e ali em frente ela se sentou e molhou.

Se achegou sorrateiro,
um moço escondido em si mesmo,
sôfrego, tímido e ligeiro...
ali se amontou e meio que à vista ficou lendo
mas palavra nenhuma se ouviu ele dizendo.

Era verdade seu moço,
que ele queria se livrar do quanto estava sofrendo.
Mas não se ouviu.

Quando ele chegou já era tarde,
o Sol queria ir embora
sem fazer alarde.
se compadeceu do pobre,
Um desatino.
mas também não poderia ele, o Sol, ficar pra sempre,
Solrrindo.

às ameaças,
de lhe deixar a companhia
transformou em palavras o seu coração
foi brusco e sem cortesia.

Era verdade seu moço?
você queria se livrar do quanto estava sofrendo.
Foi o que ele disse:

"Descobri inda pouco,
antes do início do amanhecer,
que estou apaixonado,
e que sofro
e que é você
o motivo da dor
que tanto me dói."

Aquela que se sentou em frente ao mar
não o entendia,
foi logo chegando,
se calou,
e de repente dizia:

"É verdade seu moço?
você queria se livrar do quanto estava sofrendo."
Foi o que ela disse.

Em meio a pasmaceirice,
e ao silêncio da dona que ali se apresentava,
ele perguntou se sentindo meio que afogado,
por uma imensa tromba d'água:

"Mas que haveremos nós dois de fazer com isso?"
Á pergunta que lhe impunha um compromisso ela respondeu sem titubear:
"Nada!"
E foram-se nadando em direção ao mar!

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